sábado, 27 de dezembro de 2008

Nº 5

Confesso que sempre adorei este anúncio, mas quando vi a sua long version ainda mais gostei. Parece um filme de tão bem feito que está. Para não falar do perfume que é divino, e um eterno clássico: Chanel nº5.




segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Natal

Chegamos a melhor altura do ano, mas para mim não é assim tão boa. Já foi, agora as prendas não interessam, e o Natal passou de uma época de paz e sossego para uma sucessão de recordações e saudades. Nada mais. 
Não me digam que é bonito, porque eu sei. Não me digam que é para estar com a família, porque eu também sei. O meu Natal perdeu cor, é apenas branco e preto, e nada do que me possam dizer vai mudar isso. 

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Passos leves, vozes do além

O portão abriu-se sem avisar, enferrujado como estava o barulho que fez riscou levemente os meus ouvidos. Entrei com medo do que ia encontrar, com receio de ter de fugir.
Fecho os olhos e atravesso o jardim. Parece que conheço o caminho e deslizo por entre as rosas sem me picar. À medida que avanço o que deixo para trás vai ganhando cor. Afinal o portão é verde, as rosas brancas e a relva brilha. Alcanço a porta, que em silêncio se vai pintando de escarlate, entro e dou conta que tudo esta coberto de lençois brancos. Nunca pensei sentir este frio cortante que sinto agora, vou congelando enquanto dispo os movéis, e os panos que flutuam no chão são tantos que o ar fica coberto de pó. Não consigo respirar, tenho de abrir uma janela e a tropeçar por entre nuvens brancas rasgo as cortinas, mas a janela está perra, não abre. Sufoco, agarro numa garrafa e atiro contra os vidros que se desfazem como pedaços de espelho. Sinto o ar varrer a morte. E a luz... Ah a luz! Onde toca, transforma. Olho para trás e vejo uma sala diferente. Reluzente, limpa sem vestígios do que alguma vez fora. 
   Continuo o meu caminho. Agora, passo a passo sei que estou cada vez mais perto. A madeira range como se falasse comigo. Parece que oiço música mas não, já é imaginação.  Já é o meu desejo de voltar atrás no tempo e poder dançar tudo o que não dancei. Já é a vontade de deixar de saber o que sei. Já não interessa onde estive, com quem e quando, apenas importa que já não está aqui quem eu queria. Não tenho agora maneira de me libertar sem alguém que me oiça. Quem agora diz que me escuta não é quem eu quero, e não toma atenção na verdade. Ouve, porque é correcto. Preferia que me deixassem só para sofrer sem magoar os outros, seria melhor. Poderia assim, dizer a Deus tudo o que nunca disse. Seria talvez a única coisa certa que alguma vez fiz. Mas queria que Ele me respondesse e dissesse ao meu ouvido e não ao mundo, que apesar de muitas vezes não o ouvir ele sabe que eu sonho com Ele e que tento comunicar. Gostava que me desse um sinal infimo da sua existência. Gostava que me desse esperança de que é possível sarar a ferida. 
   Secalhar já estou a delirar de tanta emoção. Ao estar aqui, nesta casa, os sentimentos emergiram do fundo do coração tão repentinamente que sinto lágrimas cristalinas a escorrerem dos meus olhos. Os olhos são o espelho da alma. O que não mostramos aos outros é lá que o podemos encontrar. Neles transparece tanto a verdade como a falsidade, e neste momento em mim apenas seria vista saudade e nostalgia. 
  Confissões secretas é o que isto é. Conversas à porta fechada, sem julgamentos e questões. Confissões de quem mantém tudo cá dentro e não transborda. Confissões de quem tem o mundo a palpitar e a imortalidade na alma. 

  Mariana Costa

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Pensée du jour

"A vocação da poesia não é deslumbrar-nos com uma ideia surpreendente, mas fazer com que um instante do ser se torne inesquecível e digno de uma insustentável nostalgia."


Milan Kundera

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Veia humanitária

Ontem ao ver as notícias chamou-me à atenção a situação no Congo. Sabia que se passava uma guerra civil mas nunca imaginei a velocidade a que está a evoluir. 
Esta guerra é, simplificando, uma disputa pelos recursos naturais. Desde 2003 morreram 5 milhões de pessoas. Hoje em dia 1 milhão tenta atravessar as fronteiras para o Ruanda. 
A guerra é suportada pelo ouro, claro, e pelas crianças-soldado que são obrigadas a combater e cujo número aumenta de dia para dia. Ataques à catana, torturas, violações, pilhagens ocorrem todos os dias. No norte o caos está instalado. Os raros pontos de ajuda humanitária que restam estão sobrelotados, com milhares de refugiados que procuram um lugar onde ficar. 
Gostava de saber porque ainda não houve ninguém que tomasse uma posição e dissesse a este governo do Congo, entre outros africanos, que não se sabem governar e que é necessário que potências como os EUA os controlem. Sejamos honestos, a verdade é que os ditadores mais brutais, as maiores atrocidades cometidas na humanidade aconteceram em África. 
Não sou especialista em relações internacionais nem nada que se pareça, mas é urgente uma solução para este problema, é urgente um ponto final nesta guerra infernal. 

Mudando de tema, para um assunto mais leve. Quarta-feira fui ver "Blindness - Ensaio sobre a cegueira". Não li o livro, portanto não fazia a mínima ideia do que se ia passar. Sabia apenas que o realizador era o Fernando Meirelles, o mesmo do "Fiel Jardineiro" (filme que aconselho vivamente a ver), portanto seria um bom filme de certeza; Juliane Moore seria a actriz principal, ou seja iria assistir uma boa interpretação sem dúvidas, e que era uma adaptação da obra "Ensaio sobre a Cegueira" de José Saramago. 
Normalmente os livros que passam para o grande ecrã nunca traduzem exactamente o livro. Mas este era fiel, de acordo com a opinião de quem já leu, e transmitia exactamente a sua ideia. Não é um filme sobre os cegos ao contrário do que possa parecer. É essencialmente sobre como os instintos primários do homem, a ganância, chantagem, vingança, a sede do poder permanecem independentemente das situações em que nos encontramos. Tudo de mau no homem vem ao decima. Quem era bom, puro assim permanece. Quem já não era bom, pior fica. E quem estava no meio, normalmente escolhe o caminho do mal. 
Sinceramente, deu-me vontade de ler o livro e assim prometo que estará nos meus "Livros de Cabeceira" o mais rápido possível. Já me disseram: "Saramago, mas estás maluca? Não te bastou o "Memorial do Convento"?" Ao contrário dessas pessoas eu gostei do Memorial, precisamente por ser diferente de todos os outros (apesar de cada livro ser único). A escrita de Saramago não é assim tão complicada, não é um bicho-de-sete-cabeças e tem pontuação, não tem é a habitual passagem do discurso indirecto para directo com "dois pontos, travessão e a fala". Uma vez la dentro, tudo se percebe basta um pouco de esforço. 

Concluindo, fiquei impressionadissima com o filme, mas ainda mais com a Guerra do Congo, porque isso não é ficção. É realidade. 
 


terça-feira, 4 de novembro de 2008

Eleições Americanas

Sim, eu estou atenta ao que se passa no mundo. Apesar de não poder votar, se pudesse era sem dúvida alguma em Obama. Não só por todas as medidas que propõe a nível interno do país, mas especialmente a nível internacional. 
Além disso, seria a primeira vez que alguém afro-americano estaria na Casa Branca. Seria a primeira vez que uma família negra se tornaria a "first family" americana. Seria o início de novas mudanças tanto para a America como para o Mundo. 

"I'm asking you to believe. Not just in my ability to bring about real change in Washington... I'm asking you to believe in yours."
Barack Obama


Mariana Costa


sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Divagando

Noutros séculos havia uma coisa a que se chama etiqueta. Ora, hoje em dia podemos dizer que estas regras estão em vias de extinção. Porquê? Porque agora há outra coisa (para além da má educação, mas não é disso que estou a falar) que prevalece: o egoísmo. 
A verdade é que cada vez menos existe cavalheirismo, boa educação e respeito uns pelos outros. Cada um está por sua conta, e o lema é: salve-se quem poder. Cada vez mais as pessoas rejeitam os outros e apenas se preocupam consigo próprias. A liberdade é muito boa, sim concordo, mas também há que ter noção dos actos que cometemos e das suas consequências. Por isso um pouco de regras não fazia mal a ninguém. Talvez com um pouco de regras o mundo não estivesse como está. Talvez fosse preciso alguma rigidez para controlar este pantâno que se alastra a passos largos de dia para dia. 
Pergunto-me a mim própria o que faço eu aqui? Pertenço a esta selvajaria? Estarei destinada a permanecer nesta confusão? As respostas não chegam, o sangue sobe à cabeça de tanto pensar... Reflicto, volto a reflectir, mas as conclusões não aparecem. 
E temo que nunca venham a surgir. Talvez seja algo que só se aprenda com a experiência de vida, e isso ainda tenho eu muita para adquirir. 
Já não sei como tratar as pessoas. Não sei se devem ser todas abordadas da mesma maneira, com a mesma linguagem, com os mesmos gestos, e até com o mesmo olhar. E o sorriso deverá ser igual?  
Queria poder entrar na cabeça de cada pessoa e ver os pensamentos para saber o que fazer. 
Queria fazer crescer um modelo da Humanidade ideal, sem erros e que soubesse distinguir o bem e o mal.
Queria ter um livro que dissesse como agir. Queria ter um manual do ser humano, onde estivessem explicadas as diferentes reacções e emoções. Um manual de instruções do Homem que explicasse o que fazer perante obstáculos e quando nadamos perdidos no oceano.


Mariana Costa


sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Luz

Apareceste numa noite sem barulho, e passo a passo chegaste ao mais dentro de mim. Percorreste todos os caminhos possíveis para descobrires as mágoas que me assombravam. Saraste-as com o olhar, não foi preciso dizer nada. Sabias imediatamente o que fazer. Sangue-frio acima de tudo, é o teu lema. Característica necessária em todos os seres humanos na minha opinião, que tens em demasia. Mas mesmo assim curaste todas as feridas da minha alma sem medo que doesse. Talvez fosse coragem ou instinto por isso não te afastaste. Por muito mal que estivesse jamais me abandonaste num buraco sem fim, porque o meu fim eras tu. Tu, que estás la sempre sem estares, que sabes sem saber, que dizes sem falar, que escreves sem pensar, que tudo fazes sem nada fazer. 
Só o saber que te foste, que nunca mais irás entrar pela porta dentro é morrer. 
E agora, que desapareceste de vez, que farei? Olharei o teu retrato, ouvirei a cassete com a tua voz, e nunca me esquecerei. Arrumarei os teus papeis que ainda continuam lá, ano após ano, por haver alguém sem coragem de lhes tocar. Talvez por terem o teu cheiro, os teus pensamentos lá escritos seja mais doloroso. Eu preciso disso. Tenho de sentir que caminhas comigo, que me amparas, que não és apenas um corpo subterrado. Preciso de saber que a tua alma não desvaneceu e continua viva e quente. 
A comunicação é difícil, não é real... Mas encontrei as palavras, não verbais, para te cantar. 
Em ti confio plenamente, sem pudores e restrições. Deste-me provas do que és capaz, subiste a uma montanha e gritaste o meu nome até eu o ouvir do outro lado do mundo. Um obrigado é o que te devo, pela luz que te tornaste na minha vida, pela música que comigo dançaste e por todas as ruas desconhecidas que me deste a conhecer. 
Um obrigado te darei por toda a vida, apesar de não o poderes ouvir eu sei que o sentes.


Mariana Costa

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Constipação bem apanhada

Apesar da grande constipação que apanhei posso, sem a mínima dúvida, dizer que valeu apena a noite de sexta-feira, e que foi curta sim mas teve um valor incalculável. 
Por entre rainhas da noite que se atravessaram no nosso caminho, coreografias inventadas, e as nossas figuras que nem vou referir, tivemos uma "pseudo-noite" do melhor.

Para a próxima não estaremos deslavados e por muitos sinais que nos apareçam à frente será ainda maior desde que estejamos sempre, sempre juntos. 


Mariana Costa


quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Evaporação

Vã esperança, cruel medo
duvidas insistentes e tenebrosas
que fluem no meu sangue 
por ruas vagarosas

O toque, cheiro e sabor 
não quero eu tentar
com medo de me evaporar
por entre memórias 

Cada vez mais se aproxima
o sonho que tanto temo
e questiono-me se alguma vez existi
neste meu mundo moribundo

Hoje desapareci
sem haver uma lágrima derramada
apenas um suspiro de dor flagelada
que contra o tempo avança


Mariana Costa


terça-feira, 23 de setembro de 2008

As conversas que não tivemos

Oiço as ondas. A maré desce. A praia está vazia. Percorro as escadas até sentir o frio nos meus pés. E continuo a cavalgar pela areia até me sentar à beira mar. Olho o céu. Azul, vermelho, cor-de-rosa, laranja... pôr do sol.
Conheço esta praia como a palma das minhas mãos. Cada rocha, cada lugar escondido, cada onda, o lugar melhor para mergulhar, a força da rebentação quando bate nas rochas. Consigo adivinhar a bandeira que vou ver ao virar da esquina quando ainda estou dentro do carro. Sei qual o melhor sitío para pousar a toalha, sei onde batem os raios de sol a cada hora do dia e sei a direcção do vento assim que me dispo. 
Gostava de te conhecer assim também. Gostava que fosses o meu porto de abrigo onde me posso esconder do mundo, onde posso dizer o que me vier à cabeça, onde posso chorar sem que me digam para parar. Mas não me deixas entrar nesse teu mundo onde apenas tu existes, onde não há lugar para mim. E por muito que te peça tu não abres as tuas portas e encarceras cada sentimento. 
Gostava que me tivesses deixado falar, que me tivesses deixado explicar como tudo aconteceu. 
Mas a verdade é que não fui só eu. Se essa tua solidão se tivesse esvanecido tudo teria sido diferente. E enquanto eu tentei recuperar o que estava perdido tu ficaste estatico nessa tua postura inerce como se não houvesse solução. 
Até havia alturas em que tudo parecia estar um paraíso, em que o mundo se tornava surreal e entravamos num sonho. Só que não passava tudo de uma grande ilusão.  Nem uma conversa decente como adultos podiamos ter porque és como uma criança que não pode abordar assuntos que te possam magoar. 
Não me posso aproximar mais não porque não queira mas porque não deixas, e é demais...
Não há mais nada que possa dizer ou fazer para perceberes que preciso de ti por isso deixo-te. 
Vou para a minha praia que conheço de olhos fechados. E que nunca me irá abandonar. Vou para a paz e sossego que não me podes dar.

Apenas gostava de ter conhecido mais que um esboço feito sem esforço que é o que me deixas ver. 


Mariana Costa, na praia do Guincho


sábado, 20 de setembro de 2008

Enfim, que dizer?

A verdade é que passei o dia inteiro no sofá. Pensei 1500 vezes no que fazer, no que ler, no que escrever... e nada me veio à cabeça. Estava oca. 
Sentei-me na minha poltrona e observei a nova disposição do meu quarto. Abri a janela. Ar fresco. Brisa inconsciente, à qual as coisas em redor não devolvem a sensação de existência. A noite ainda agora começou. Está a chover e se há coisa que me enfurece é chuva à noite. Eu sei que a maioria das pessoas prefere que chova de noite, mas não é bom sermos todos diferentes?
As pingas batem no meu estor e "tchanan" parece que estão a cair pedregulhos na minha janela. Se tivesse um sono pesado isso não seria problema de certeza, mas não tenho. Acordo com o mais leve som. Sim, com o mais leve som e o mais leve pensamento. Sou capaz de acordar para escrever um pequeno apontamento no meu companheiro bloco. O pior é que quem me é mais próximo sabe isso e sabe também que não desligo o telemovél à noite. Então, tal como na semana passada, uma certa pessoa decidiu telefonar para ter companhia até conseguir dormir... Parece engraçado? Não é. Deu-me vontade de esganar essa personagem. Na brincadeira claro. Um dia esta história de dormir com o cellphone ligado ainda vai dar muito jeito a quem precisar de alguma coisa urgente a meio da noite. É melhor prevenir que remediar!
Já me disseram: "Não te venhas queixar, quem te manda tê-los ligados?" (sim é que ainda por cima tenho 2).
Recuso-me relutantemente a desliga-los. Sou incapaz. Sabe-se la o que vai acontecer? E se dormir até tarde e alguém precisar de mim de manhã, como hoje? Depois irão agradecer. E eu direi: "Vêm como foi bom estarem ligados?"

E eu sei que isto é conversa da treta, e que não-interessa-nem-ao-menino-jesus, mas tinha a necessidade de me ocupar com alguma coisa, nem que sejam parvoíces. 
Admito: este texto apenas serviu para me entreter.


Mariana Costa

domingo, 14 de setembro de 2008

Memórias

Todos nós temos as nossas lembranças de infância, as nossas fotografias mentais, os flashbacks repentinos que nos fazem voltar atrás na máquina do tempo. 
Esses momentos são repletos de sentimentos que nos revoltam provocando o riso ou a tristeza. Podia dizer que não custa voltar atrás e desenterrar os restos mortais da nossa criancice, mas a verdade é que dói. Magoa olhar para trás e ver que tudo o que fiz e que disse não posso partilhar com quem me acompanhou. É uma tortura perguntarem-me como era, como riamos, como brincavamos e eu não saber responder. No fundo sei, mas não quero. Tudo se transforma num turbilhão de imagens e vozes inexplicaveis. Não consigo exprimir-me, nada sai da minha boca por muito que tente, a minha barriga dá voltas, os meus olhos inundam-se e as minhas mãos tremem. Paraliso. Sinto-me fechada num caixão sem ar para respirar. 
Em público nada acontece, só abano a cabeça e digo "sim, sim" ou "já não me lembro, isso foi há muitos anos", enquanto viajo para o passado. Quando a conversa termina, refugiu-me na casa de banho e choro. Não sei se de felicidade se de tristeza por não poder reviver tudo outra vez. e fazer melhor. Levanto-me do chão e olho-me ao espelho. Convenço-me a mim mesma de que o que está feito não se pode refazer. 
Não me peçam uma confissão pública, não sou capaz de a fazer. Os anos passam, as feridas vão sarando e as cicatrizes ficam marcadas para sempre em nós. Escondidas mas vivas. 


Mariana Costa

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Um mês depois...

Este último mês foi passado na praia, a pintar, a escrever, a ler, em família e com a Xifu. 

Agradeço-te pelos excelentes dias que tivemos e para o ano já sabes que há mais. 

Bom, esta breve passagem por Lisboa significa que ainda tenho mais 2 semanas em Cascais na companhia do meu precioso bloco que me ouve e guarda os meus segredos, dos meus livros que me inspiram, do mar e do sol que me proporcionam a paz que tanto procuro nas férias, de música e claro do telemovel para manter contacto com toda a gente. 
Aqui me despeço durante mais 2 semanas, e com a promessa de voltar com mais textos que alguns já estão escritos. 

Mariana Costa

segunda-feira, 21 de julho de 2008

A ver o mar

O amanhã não existe. O amanhã é o dia em que há sempre tempo. O agora é repentino e nunca há tempo. Pomos as vontades do hoje no dia de amanhã. Esquecemo-nos que o amanhã pode não surgir. 

Somos uma vastidão imensa, uma extensão infinita de azuis por entre o horizonte.
Somos o serpenteado do oceano, meigo ou feroz. Deslizamos pela areia sem certezas para onde vamos e de onde viemos. Deixamos as nossas pegadas no mundo, mas a verdade é que serão apagadas.
Se falarmos ouve-se apenas um suave murmúrio por entre o compasso das ondas. Não podemos combater essa imensidão eterna. Podemos apenas ser nela embalados.


Mariana Costa

P.S - Este ano aqui estão os parabéns no dia certo: parabéns love. 17, de muitos. Love you


terça-feira, 8 de julho de 2008

Amores-perfeitos

Subi os degraus devagarinho. Olhei para cima. Revivi todos os sentimentos desse momento. Foi há 10 anos atrás. Lembro-me como se fosse hoje. Convidaste-me a passar o fim-de-semana contigo aqui, nesta quinta em que o crepusculo é eterno e o som do vento flui e ecoa por todos os cantos do ser humano. Sempre gostei de aqui estar, desde o dia em que me apresentaste a esta magnifica casa, que me apaixonei por ela. 
Nesses dias que passamos os dois estavas melancólico e eu não sabia porquê. Não conseguia compreender e isso roia-me por dentro, já há muito tempo. Os desaparecimentos subitos, a falta de notícias durante dias... Enfim, estranhas coisas que se passavam e que eu não era capaz de te questionar, e nem tu capaz de me contar. 
Chegamos à quinta numa sexta-feira depois de almoço, foi o tempo de arrumarmos as bagagens e de darmos um mergulho na piscina. Ao fim da tarde, já no pôr-do-sol, puseste uma manta nos meus ombros como se tivesses de me proteger da friagem que começava apresentar a noite. Deste-me a mão e levaste-me por entre as àrvores e plantações até chegarmos a um monte repleto de amores-perfeitos. Sentamo-nos bem la no alto e ficamos em silêncio durante algum tempo. Finalmente, começaste a revelar o segredo que tanto escondias de mim. Senti o  coração a palpitar cada vez mais, olhei-te nos olhos e perguntei: 
- O que é que se passa? 
Entrelaçavas os dedos, esfregavas os braços e não olhavas para mim. Estavas muito nervoso. Por fim, suspiraste, e disseste:
- Estou a morrer. 
Continuaste com o olhar preso no horizonte. Conseguia sentir o medo que tinhas de virar a cara e de me ver chorar. De facto, chorei. Depois, limpei as lágrimas e obriguei-te a olhares para mim. Obriguei-te a explicares o que se estava a passar, estavas a morrer com o quê, e principalmente porque não me tinhas contado. Não havia tratamento possível, a doença já estava muito avançada, e o diagnóstico era definitivo. A morte era inevitável. 
Voltaste a olhar o horizonte. Levantei-me. De seguida, abraçaste-me e pela primeira vez na minha vida vi-te chorar. Sabia que tinha sido a revelação mais difícil que alguma vez tinhas feito. 
Durante esses dias fiz questão de te divertir, trepamos árvores, corremos pelos campos, colhemos fruta, saltamos na piscina. Rimos muito. Tenho certezas absolutas que foram os melhores dias das nossas vidas e nunca os esquecerei. 
Voltamos a Lisboa. 
Morreste na quarta-feira à noite. 

E 10 anos depois aqui estou, de volta a esta quinta que me deixaste no testamento. Durante estes anos não tive coragem de aqui vir, pedi à tua família que fosse mantendo a casa limpa e habitável. 

Fechei os olhos e vi o manto branco infinito da ausência. Era a paz dos quietos, dos mudos, dos desfeitos pelo olhar. Ali estavas tu, esperando placidamente a morte, conformado com o destino. Tenho as mãos frias e olhar submerso. Abri as janelas e inspirei o ar rarefeito da decadência do tempo. Vou aspirar o silêncio que se ergue na calmaria. Oiço ainda os teus passos, os murmúrios do teu coração que formam uma melodia arrepiante. 
Levaste-me por ruas desconhecidas, por becos obscuros, por lugares sem espaço, por caminhos sem direcção. Tiraste-me toda a razão. 
Penso em ti. Não me canso. Continuo a amar-te.
Fizeste-te ruínas e levaste-me contigo. Fiquei pequena demais, para trazer este oceano de amor que cultivo no meu âmago. Esperarei por ti toda a minha vida, como uma criança que espera um autocarro. Os dias são longos, os minutos apressados e os anos compassados. Ainda sozinha nunca vou deixar de te amar, nunca vou deixar de ter um bouquet de amores-perfeitos junto ao piano que tacteavas todos os dias...


Mariana Costa

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Amanhã ao acordar

Hoje ainda não te vi. Mas nem por isso os relógios pararam ou o dia deixou de nascer.
O dia está lindo. A frieza está ausente. Mistura-se a tristeza suavemente com o aroma da manhã. 
E é surpreendida que, nesta manhã, descubro que realmente ainda te procuro.

Talvez dias não cheguem, meses muito menos, mas porque não anos? Anos, sim, sem te ver.

Era este o meu desejo: não te ver mais durante anos, só para ter certezas de que tinhas sido apenas alguém com que me cruzara um dia.

Será que amanhã é isto que quero?


Mariana Costa


sexta-feira, 27 de junho de 2008

Positivo

Este blog fez um ano na passada terça-feira. O que significa que mais um ano passou, mais experiências foram vividas, mais  sentimentos foram aprofundados. 
Neste ano pude sentir a capacidade que o ser humano tem de se adaptar às situações, por mais bizarras que sejam. Sei agora, que se formos fortes e mantivermos a cabeça levantada tudo se esvanece e o mais importante vem ao nosso encontro. Talvez faça parte de mim, da minha personalidade e a verdade é que não sou pessoa de desistir e de fugir dos obstáculos. 
Neste ano aprendi muito, aperfeiçoei-me a mim mesma, compreendi melhor o mundo e cresci. Aos poucos vou-me conhecendo, vou descobrindo os mistérios que me envolvem, vou descobrindo quem sou. Sou fiel aos meus sonhos e imponho limites aos meus desejos. Dou valor à confiança e à loucura. Sim, porque apesar de toda a minha coerência tenho um ponto de loucura que me preenche, e quem me conhece verdadeiramente sabe isso. Desprezo a guerra e acredito na paz. Respiro a verdade, o amor e a força. Sou fria à primeira vista, e quente no interior. Sou directa e sincera. Futilidades não é comigo, simplicidade sim. Aborreço-me facilmente com quem pensa que me conhece, pois na verdade só me abro com muito poucas pessoas. E essas são verdadeiras e definitivamente de confiança. Não gosto de pessoas falsas e superfulas, a única coisa que despertam em mim é desprezo e desconfiança. Só sou transparente com quem quero. Sacrifico-me pela amizade, por quem gosta realmente de mim. 
Adoro ver esquemas montados, mas participar neles só se for mesmo muito importante. Gosto de gostar. Gosto de saber gostar. Adoro a natureza. Amo a brisa do mar e a maneira como o sol resplandece num dia de inverno. 
A perfeição não existe e eu não faço parte dela certamente. E não a busco, porque quem gosta de mim, tem de gostar com defeitos e tudo. Sou quem sou e mantenho-me fiel aos meus pricípios e valores. Sou dissuadida apenas por quem amo, os outros não conseguem. Sou amante da vida louca, no entanto tenho sempre noção dos meus limites. Aprecio imenso o meu recanto onde me refugiu para descobrir mais um pedaço de mim. 

Neste ano, novos hábitos foram criados, refiro-me ao Café da Praça que se tornou num cantinho único e que está cheio de conversas e muitas loucuras sem explicação, onde vamos todas as semanas. 

Tenho agora de fazer um tributo a duas pessoas que sempre me apoiaram e fizeram parte deste e de 4 anos passados, e farão do resto da minha vida. 
No ano passado, todos diziam que nos iamos separar que não ia ser o mesmo. É verdade, não é o mesmo, é melhor. Agora quando nos encontramos é tudo mais forte mais profundo. É difícil não vou negar. Mas é isso que nos faz viver e continuar unidos. Porque juntos somos muito mais do que separados, e este ano podemos experienciar tudo isso. Tivemos desavenças, mas no fundo quem somos nós sem desavenças? 
Não há um dia em que não pense por tudo o que passamos, nas histórias que vivemos e no que dissemos. Não há um dia em que não tenha medo do que a vida nos trará. Sei que não é uma onde que nos deitará ao chão, mas nunca se sabe o que tece o destino. 
Ainda na segunda-feira tivemos uma conversa (me & cris) sobre a notícia que recebemos nesse dia: secalhar o Tito vai para Londres estudar. Até teatrializamos a cena no aeroporto (brincadeirinhas inocentes), mas depois aterrámos e olhamos uma para a outra e dissemos "agora asério, vai ser horrível". E vai, não tenho dúvidas. Será mais um obstáculo a ultrapassar e estou certa de que o conseguiremos fazer. 
A vocês posso dizer, de verdade que vos amo. 


Concluindo, o balanço final deste ano lectivo é... positivo, sem dúvidas. 


Mariana Costa, por fim de férias. 

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Quase

As aulas acabaram, agora já só faltam os exames. 


Está quase no fim. 


Mariana Costa, desejosa de férias a tempo inteiro

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Desorientada

Risco, apago, escrevo, apago. Fiz planos fantásticos que se esbatem com o levantar da persiana e suspiro como sempre depois de respirar fundo.Desisto. Vou dormir com as historias encalhadas na minha cabeça. 
Ao levantar, sento-me com as imagens cheias de perfume enquanto tento encontrar a forma de encurralar cá dentro tamanhas vontades que me fazem sufocar na vontade de voar. Retenho a vontade de dizer ao mundo todas as coisas escritas por dentro e contento-me com o sabor da passagem dela que se embrulha no fugaz turbilhão dentro do estômago enquanto o peito parece saltar e seguir atrás do seu sorriso. 
Não consigo explicar a mim própria o que não chora em palavras e quando fugir as imagens em câmara lenta parece ser mais difícil que acordar, fico adormecida. O olhar não sobe, os olhos não brilham, e pouco mais há a fazer, a música grita sem ser ouvida e a voz não sabe dizer o que na garganta aperta. Então que há a fazer? Dias e dias a vestir sorrisos roubados, a viver histórias alheias, a sonhar acordada, a dormir por dormir…e quando chega a altura de parar, quando chega a hora de pensar sem fugir em ideias forçadas, vejo claramente que falta o sabor de ser. Queria rasgar os dias que não são meus, queria saber de que sabor são as historias, queria saber a cor do quente, queria amarrotar as palavras e dizer algo certo, queria não sentir tanto ou não sentir que falta algo por sentir, queria não querer nada disso, queria querer só por querer ou talvez só por não ter, queria saber ou então não conhecer, só queria ser e poder ser e ser sem ser algo. 

Mariana Costa, com vontade de escrever mas desorientada

quarta-feira, 7 de maio de 2008

O inexorável

Sorri. Para a mãe, o pai e os irmãos. Para os amigos. Para o mendigo. Para a senhora que te atendeu na loja. Para o homem do metro. Para a criança que brinca com as flores. Para o casal que se passeia na rua.
Olha. Vestidos, maçãs mordidas, telefones, fios de cabelo, cigarros apagados, cartas rasgadas, cachecóis, esculturas, coisas roxas, fraldas, sangue, óculos, escovas de dentes, iogurtes, sapatos, facas, restos de vozes, pão acabado de sair do forno, postais, chaves, bóias de plástico amarelo, portas de carros, lápides, cinzas, cartazes, lenços, aviões e pistas sem fim.
Diz. "Parabéns", "os meus pêsames", "desculpa", "bom trabalho", "boa viagem", "até amanhã","amo-te", "adeus", "olá", "obrigada", "estás bem?".
Ouve. Risos, orquestras, explosões, passos, chapinhar, apitos, vento, árvores, carros, chaves, saltos altos, abelhas e ondas do mar. 
Agarra. Os detalhes do primeiro encontro. Informações sobre roupas, tons de voz, coisas ditas, sublimações, desejos insinuados, mal entendidos, disparates, falas adocicadas para seduzir, informações em exagero, omissões para obter a simpatia, a perda dos sentidos, o girar da cabeça e o desvio da atenção, cegueira e lapsos.
Conhece. Rosas, ramos, campos, marias, clarices, calvinos, rodrigues, assis, adélias, lúcias, leminski, ramalho, paulo, mateus, lucas, marcos, provérbios, salmos, Bach, sílvia, chico, cecília.
Detesta. Trânsito, dengue, hospital, políticos, casamento, plástico, frieira, textos mal escritos, dívidas, culpa, funcionários, perfume barato, mosquitos.
Age. Sopros, sustos, soluços, lapsos. Pontos do tricô e o cachecol perdido. Choque. Gritos. Engasgo. Levantar. Arco-iris. Convulsão, morte súbita, parto prematuro, cancro no fígado, milagre. 

Sente. Um calor repentino, sangue escorrendo e dor nenhuma. 

quinta-feira, 17 de abril de 2008

au revoir

Com a força de mil sóis a explodir, o teu olhar cruzou o meu e aí soube que era para sempre. 
As lágrimas borbulhavam no canto dos meus olhos como se fossem fontes sem fim. 
Era suposto não olharmos para trás assim que nos separassemos. 

Conheces-me? Lembras-te de quem sou?
Sou aquela que suplicou que agarrasses e trincasses o momento. Sou aquela que te abraçou quando tudo avançava depressa demais e tu não aguentavas. Sou aquela que tirava as pedras do teu caminho, mas fazendo com que pensasses. Sou aquela que te consegue ver numa tarde de nevoeiro cerrado. Sou aquela que sabe o que sentes quando as palavras rodopiam nos teus lábios e dão voltas eternas na tua cabeça. Sou aquela a quem deste todos os sorrisos de uma humanidade que arrastas com a tua sombra. 
E nós o que fomos? Lembras-te?
Não fomos feitos de teatro, e muito menos de poesia. Fomos tardes vazias. Noites sem luz. Silêncios de agonia. Lucidez absurda. Desejos de loucura. Fomos capazes de atravessar paredes. Fomos capazes de saltar o abismo. Fomos capazes de morrer e renascer vezes sem conta.

Mas quando me pediste para nos abandonar soube que era o fim. Quando a tua mão largou a minha e ela deixou de ser tua. Já nada de ti era meu. Já nada de mim era teu. Lancei um derradeiro olhar de despedida. Não de ti. De mim mesma. 
Continuo a andar. A tua imagem não me sai da cabeça. Tropeço em ti. Fazes-me perder o equilíbrio. Quase que me vejo no chão. Não caio - recupero o balanço - sigo caminho.
Quando te vir outra vez passo por cima de ti. Grito-te com os meus olhos que a mim ninguém me rouba o chão.
Agora sou de Ninguém. Acabei. Cheguei ao fim. E enfrento todo o vazio e solidão.

                                                                          Elevador de Santa Justa
                                                                            Lisboa 2008
Mariana Costa
 

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Pequenos nadas

Desci a rua. Numa luz imaculada, com um toque de cetim, passaste num carro mesmo à minha frente. O sinal ficou vermelho. Tal como eu estavas parado. Ficamos os dois envolvidos numa nuvem branca que nos consome, que nos aperta e estrangula. Nada mais existia.
Olhaste nos meus olhos. Olhei nos teus. Um azul gelado transformou-me numa estátua. Já não te via desde aquela noite em que me abandonaste. Sim, tu que dizias ter virado a página, ter começado uma vida nova. Mas eu percebi que não estava tudo bem. Meu querido, esqueceste-te que te conheço como se fizesses parte de mim, e na verdade fazes. És um pedaço que me compõe, que me ajuda e permite crescer. Não me deixes na ignorância. É a única coisa que te peço. Se não falares, se deixares a tua alma cerrada, deixas a minha. Porque eu sou tu, e tu és eu. Somos o reflexo transparente um do outro. Será que ainda te lembras?
Não sei. Sinto que há vezes em que és azeite e eu sou àgua. Não somos um todo. Deixa-me ajudar-te. Não estás bem e isso mata-me por dentro. Esses nadas que não dizes, esse "nada" que dizes, essa indiferença que carregas. Todos os nadas que abandonas e devias agarrar, são meus também. A tua angústia, o teu medo, a tua frieza dão-me vontade de te encostar à parede e não te deixar sair até largares os pequenos nadas que te dilaceram. Chora, meu bem. Nunca te disseram que chorar é bom? Deita as tuas lágrimas na minha mão até elas formarem uma fonte. Eu aguento não te preocupes. Suporto o mundo inteiro por ti. Morro por ti. O murmúrio do teu sofrimento chama por mim. Deixa-me acolher-te, dar-te um beijinho de boa noite e dizer que vai ficar tudo bem.
Nunca te esqueças que a vida passa por nós como uma rajada de vento e há pessoas que vão e vêm. Mas nós seremos sempre um do outro. Na terra, no mar ou no ar. Na eternidade e no além. Uma amizade não desvanece assim. É mais forte que uns nadas que separam o teu sorriso do meu.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Este filme não é para Idiotas

Quando um homem encontra no meio do deserto do Texas um grupo de carrinhas repleto de mortos, onde existe um carregamento de heroína e dois milhões de dólares em dinheiro vivo, a acção começa.
Ou se afirmava como um cobarde e nem verificava se havia pessoas vivas naquele mar de sangue ou era corajoso e enfrentava a realidade. Assim foi. Mas quando percebeu o dinheiro que ali estava envolvido (e aqui está a prova de como a ganância é mais forte que os princípios base da vida) até é capaz de recusar àgua a um moribundo, deixando a porta da carrinha aberta para que os lobos o pudessem comer.
Ao se apoderar da pasta com o dinheiro desencadeia uma autêntica caça a si próprio. Perseguido por todos os lados e por várias personagens, existe um, o pior de todos, que é capaz de decidir a vida ou a morte de um ser humano com a moeda. Este psicopata anda de assassinato em assassinato, não deixando escapar ninguém, e evoca-se como se fosse a Natureza e apenas estivesse a cumprir um papel que lhe foi atribuido.
O xerife, já velho e desactualizado, tenta evitar este massacre não conseguindo, pois tem noção do inevitável destino: o facto de não haver mais nada a fazer. Desajustado neste mundo e não sendo capaz de lidar com a violência que o assombra, desiste. 
Esta narrativa dá-nos noção da evolução do mundo, da passagem alucinante do tempo e de como muitas vezes é impossível acompanhá-lo. Daí que se chame: "No country for old men". 

É um filme para pensar (o que talvez possa ser difícil para alguns). Evocando uma metáfora da vida. Existem dois tipos de filmes: os que vemos para estarmos entretidos e aqueles que são feitos para pensar. Este é definitivamente um labirinto que faz pensar.



"Ela soluçava. Abanou a cabeça. 
E todavia, embora eu te pudesse ter dito de antemão como é que tudo isto iria terminar, achei que não era excessivo proporcionar-te um derradeiro lampejo de esperança neste mundo, para te alegrar o coração antes que tombe o véu, as trevas. Compreendes? 
Oh, meu Deus, disse ela . Oh, meu Deus. 
Sinto muito. 
Ela olhou-o pela derradeira vez. Não és obrigado, disse. Não és. Não és. 
Ele abanou a cabeça. Estás a pedir-me que me torne vulnerável, e isso é coisa que eu nunca poderei fazer. Só tenho uma maneira de viver, que não admite casos excepcionais. Uma moeda ao ar, no máximo. Sem grande utilidade, neste caso. A maioria das pessoas não acredita que possa existir alguém assim. Isso deve constituir para elas um grande problema, como facilmente entenderás. Como levar a melhor sobre uma coisa cuja existência nos recusamos a reconhecer. Compreendes? Assim que eu entrei na tua vida, a tua vida terminou. Teve um começo, um meio e um fim. O fim é agora. Dirás que as coisas podiam ter sido diferentes. Que podiam ter corrido de outra maneira. Mas o que é que isso significa? As coisas não correram de outra maneira. Correram desta. Estás a pedir-me que desminta o mundo. Percebes? 
Sim, disse ela, a soluçar. Percebo. A sério que percebo. 
Ainda bem, disse ele. Óptimo. Depois deu-lhe um tiro."

excerto do livro "No country for old men", Cormac McCarthy.


Mariana Costa

quinta-feira, 20 de março de 2008

Na dança das palavras

Os teus olhos seguem os meus movimentos. Agora danço no teu compasso. Flutuo na substância que circula no teu corpo. Aquecimento. Veias agitadas. Os teu olhar no meu.
Ensaiei enquanto esperava pela brisa que transportas. Ensaiei enquanto tentava aguentar a tua ausência, a ausência de uma parte do meu ser. És um acrescento da minha beleza. As tuas palavras, o que me dás e o que és decoram-me. São enfeites coloridos sobre a minha pele.
Estás aqui. Agora já posso pousar a minha mão no teu ombro e deixar que me conduzas ao nosso mundo. Já estou completa. Juntos saberemos construir, do nosso encontro, uma composição de escolhas. Um castelo à prova de ilusões. Um espaço aberto a decisões de amar ou de desejar, como quem escolhe as cores, os cheiros, os ingredientes e as tecnicas.
Bailo no teu ritmo. Tiro os sapatos e arrasto-te para a varanda. Descalça sigo o caminho até à lua.
A chuva cai e cobre-nos de felicidade. 
Encostas a tua cabeça à minha e sussurras. Lanço-te um sorriso. 
Percebi que não danço no teu corpo. Danço nas tuas palavras.


Mariana Costa

domingo, 9 de março de 2008

Não ato nem desato: desatino.

No outro dia dei por mim a pensar no verdadeiro significado de ser, das ideias, de querer. Será que há um verdadeiro sentido para tudo isso? Não sei. Ninguém sabe. Pensamos que sabemos, que somos felizes, que nos contentamos com pouco, com o que nos é dado e oferecido, mas queremos mais. Muito mais. Queremos um colar novo, queremos experimentar uma nova receita, um beijo daquela pessoa especial. Queremos tudo e ultrapassamos todas as barreiras possíveis e imaginárias. Porque não nos contentamos com o desejo? Com o sonho? Tem tudo de ser real? 
Na nossa cabeça não podemos sair à rua com o colar novo, imaginar que está lá e que o estamos a usar? Não podemos saborear uma prato comum e fechar os olhos, respirar fundo, abri-los e olhar o prato como uma receita estravagante? Não podemos sonhar que essa pessoa está aqui ao nosso lado e que na verdade nos deu o que queríamos? 
Podemos, só que o ser humano tem sempre de querer mais do que pode, mais do que tem direito e ainda não compreendeu que pode ter tudo, desde um nascer do sol, ao mergulho no mar, ao cheiro de uma flor, a um passeio pelo meio do campo desde que sonhe. Imagine. 
Algumas pessoas que conheço diriam que este meu discurso é completamente utópico e surreal.

Se estou ou não longe da realidade isso é comigo. A realidade sou eu que a construo, sou eu que a faço. A minha realidade não tem de se adaptar ao mundo dos outros, ao resto. O resto é que tem de se adaptar a nós. Os outros têm de ir à nossa realidade, têm de crescer.
O real toma corpo pelas nossas ideias e elas são a maior riqueza do Homem, são o que tem de fervilhar na nossa cabeça, preenchendo-nos e não deixando espaço para que nos impinjam outras. Temos de as defender, pois sem elas não há pensamento. Sem pensamento não há evolução, não há desenvolvimento, não há crescimento moral e intelectual.
Só crescemos com as nossas "coisas", o que nos pertence, o que faz parte de nós. É a riqueza da evolução do pensamento e das ideias. A vida não é estagnação. 
Daqui a alguns anos posso estar a ler os meus textos e pensar: "Fui eu que escrevi isto?" 
A mente muda, as ideias mudam, as convicções mudam, tudo se transforma. Posso modificar os textos e quanto mais tempo passar, mais pasmada vou ficar ao ver o que escrevi e o que fiz. Posso pensar agora que estou certa, que esta é a verdade, mas nunca saberemos o que é certo, verdadeiro e errado. O momento passa e o que resta são memórias do que fomos, do que fizemos do que dissemos. Cada ser humano podia escrever um livro e contar a sua vida. Devia, porque muito do que fazemos neste preciso instante, daqui a 24 horas já não nos vamos lembrar e saber o que nos passava pela cabeça. Por isso, o importante da fotografia, da pintura, da literatura. São artes que nos permitem exprimir, saber o que dizer, mostrar ao universo a nossa alma. São ideias que formam o nosso desejo e sentimento.

Um conselho: pensem, reflictam. Sintam o vento, a chuva, o mar. Inspirem-se e olhem o mundo pela vossa lente, que é única e exclusiva. Façam o que o instinto escrever. Pode parecer que fazer isto é difícil, mas  sonhem e abram a alma à imaginação.  Mas isto sou eu, que tenho um pensamento extremamente fértil, como me dizem quase todos os dias. Ainda gostava que me explicassem se há algum mal nisso.
De acordo com Henry David Thoreau "com as minhas experiencias, ao menos aprendi que se avançar confiantemente na direcção dos sonhos que temos e se fizer um esforço para levar a vida que se imaginou, encontraremos sucesso inesperado nos momentos mais corriqueiros". 
Talvez seja esta a minha filosofia de vida agora. 


Mariana Costa

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Não deixes que ela te leve

Passei a vida inteira a tentar compreender-te. Não era compreender, era mais interpretar. Interpretações da tua maneira de beber, de olhar o pôr do sol, de veres o Tejo, de falares. Interpretações de ti, que eu conhecia tão bem mesmo sem te tocar. Contigo aprendi o bom e o mau de um homem, as falhas e as inibições. Gostava de te ver. Mais do que tudo. Ver-te a escolheres o iogurte da manhã, a camisa que vestirias e o relógio que usarias nesse dia. Gostava de ver como encontravas o que precisavas na tua desarrumação, como misturavas t-shirts com camisas de seda, calças de fato com pijamas.
Neste lugar sem espaço, o passado desaba no interior de si próprio. O que agora vejo já não és tu. Agora vejo tudo o que foi, o que poderia ser e o que é. Não te encontro no meu olhar, não estás aqui nestas escadas infinitas que me perseguem. Fujo da chuva que nunca houve, das lágrimas que oiço, para a casa resplandecente da nossa amizade, o único sítio onde estou segura.

Vivi em teorias, rodeada de ideias que me faziam pensar e que (achava eu) me ensinavam a viver. Não sei pensar sem ti. Não sabes amar sem mim. Eramos um do outro. Não o descobrimos. Ficámos subjugados à sociedade em vez de seguirmos os nossos instintos. Sabíamos que a imortalidade é irrelevante e que a mortalidade cintila. Sabíamos e não nos conseguimos encontrar um no outro. Viviamos como se fossemos imortais, mas no fundo sabíamos que não o eramos.

Agora que já não te encontro, peço-te que te concentres na felicidade para que eu possa existir nela contigo. Não te feches em ti próprio. Vive. Vive por mim. Deixa a tua casa de silêncio, não derrames mais lágrimas por mim, não caminhes para a morte, não morras por mim. Oiço o som da morte na tua pele, a penetrar nos teus ossos, a congelar o teu coração. Não deixes: fecha-lhe a porta. Eu sei que custa. Que cada passo que dás recordas o que eu fui. Só tu sabes o melhor e pior de mim. Só tu conheces as minhas mãos, só tu sabias a minha bondade, só não sabias que mudei tudo por ti, porque não conseguia ser-te indiferente.
O meu além eras tu. O meu Deus que perdoava todos os meus pecados. Tu.
Ajudavas-me no que eu não sabia ser. Agora sou puro vapor do universo e já não me posso redimir, já não te posso ajudar como me ajudaste. Vejo-te a olhares as ondas do mar e a quereres mergulhar. Sei queres. Sei que te sentes meio morto, que querias estar a meu lado. Mas fica feliz. Pensa que a minha morte vai aliviar o teu medo de morrer, que se eu morri tu também serás capaz. Não serás é capaz de matar a minha morte. E nem penses nisso, porque agora só vivo em ti e por isso suplico que vivas e que faças tudo o que não consegui fazer.


Mariana Costa

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

As tuas sombras

Encontro-me num estado impensável.
Encontro-me sem sentido, sem direcção. Numa profunda melancolia que se embrenha no meu ser. Há uma solidão que me consome com uma velocidade atroz.
Tomaste-me como tua e sussuraste no meu ouvido palavras imaculadas. Durante anos encheste a minha cabeça de sensações dóceis e num segundo tiraste-mas com uma ousadia maldita. Maldito sejas tu que me enjaulaste e amarraste durante tanto tempo. Agora soltaste-me, deste-me a liberdade de voar e de espernear. E agora?
Dissipaste-te no brilho dos meus olhos. Ainda espero pelo mumúrio da tua voz rouca dos cigarros. Ainda espero que entres pela porta e perguntes aqueles desvarios do costume.
Não me consigo abstrair do teu perfume que se entranhou na minha pele. Preciso de me abstrair destes sentimentos ondeantes e agonizantes que pairam sobre mim. Tenho ainda a esperança de ver os teus cabelos voláteis mais uma vez. Tentei negar, manter a minha mente numa incógnita desmedida, mas não dá. Continuo sempre num martírio, num tormento. Este flagelo dilacera-me com um ardor turbulento.
Contento-me apenas em saber que mantiveste essa solenidade tão tua, tão difícil de deslindar e de envergar. Diria mesmo impossível. Possuías uma capa infinita, uma mansidão de sombras intransponíveis e opacas. Conseguiste remoer o meu coração até haver necessidade de o amputar. Há um único problema: não consigo. Seria em vão, infrutífero, estaria sempre a tactear e a procurar o pedaço de ti que transplantaste para mim, causando mais impasses do que já tenho. Refinaste a minha alma, tornaste-me melhor. Ensinaste-me o significado da Vida e da existência. Explicaste-me que o Mundo de vítreo não tem nada. Talvez num outrora mundano e libertino entenda o teu jeito de ser que me assombra. Talvez entenda a tua lascívia amarga e a tua volúpia desmedida. Talvez... não sei.

Só sei que quando tudo desabar, o que semeaste em mim vai renascer das cinzas e brilhar.
Por enquanto só preciso que me ajudes a esfaquear estas sôfregas emoções com a tua brandura e não me deixes esgueirar de mim mesma.


Mariana Costa

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Dor

Peguei na minha mala e fui-me embora. Deixei-te no sofá com a cabeça entre as mãos. Nunca pensei que fosses capaz de gritar comigo daquela maneira e de me abanares até eu cair.
Foste longe de mais, foste de uma dureza que me rasgou. Sou apenas e unicamente um ser humano. Não sou nem nunca serei um máquina, um clone sobre o qual tens completo e total controlo. Esquece. Não consegues.
Notei logo na tua voz quando me telefonaste: "Vem jantar comigo hoje. Tenho saudades dos nossos serões." Fui, como verdadeira amiga que sou. Fui, porque já não te via há quase 3 anos. Fui, cheia de uma esperança penetrante. Fui, pensando que iamos ser iguais a antes, pensando que estavas o mesmo como mostravas nas cartas que estão guardadas na minha mesa de cabeceira e que trocamos ao longo desse tempo.
Abraçamo-nos com uma ternura eterna. Conversámos, rimos e mantivemos sempre o nosso vinho à nossa frente. Lembraste-te de comprar esse vinho maravilhoso que bebemos pela 1ª vez quando fizeste 18 anos. Por fim, caímos no sofá e iniciamos conversas filosóficas.
Estás diferente. Já não tens os mesmos ideais que eu, já não tens os mesmos interesses, já não tens aquela sensibilidade que nos unia e nos transformava num ser único e especial. Tudo isto achaste tu de mim. Não percebo. 
A tua alma está fria e crua, não tens amor nem carinho para dar. Está vazia. Disseste-me tu tudo isto, sem medo e sem pudor. Se estivesses igual tinhas tudo receio e angústia de me dizer isto, tal como eu tive. Medo de te magoar, de estar a ser injusta, de estar errada. E tive coragem de te explicar, de te dizer o que achava porque os amigos dizem a verdade independentemente do que lhes custe. Disseste-me que eu não era tua amiga, que nunca tinha sido e que tudo o que tinhamos vivido era pura ilusão e mentira. Atiraste-me uma bomba atómica, tiraste-me o ar e deixaste-me sem respiração.
Mais vale que me mates já, agora, sem medo! Enfrenta-me e mata-me! Mata-me...

A verdade é que já me mataste com as palavras que disseste. Afogaste-me, enterraste-me viva, tiraste-me a luz, o som e abandonaste-me na escuridão. Não vejo, não sinto não oiço. Mataste-me. Mas não foi fraca a tua acção, foi forte. Esmagaste todos os pedaços de mim. Rasgaste-me e deitaste-me no lixo a apodrecer. Doi. Doi tudo desde a mais ínfima veia ao mais superficial osso. Doi desde os mais básicos movimentos aos mais elaborados pensamentos.

Ressuscita-me e diz que não é verdade. Devolve-me a vida e tira-me esta dor. Dá-me um abraço e diz que vai ficar tudo bem. Reconstrói cada pedaço do meu ser como se fosse um puzzle de infinitas peças. 
Dá-me uma luz, dá-me um sinal, lança-me um sorriso. Dá-me a tua mão e puxa-me deste terror, mas ajuda-me ou então prefiro que me deixes a morrer. 


Mariana Costa

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

17

Mais um ano. 


Posso dizer apenas que cresci e que aprendi a lidar com as mudanças que a vida nos proporciona.
A todos os que me ajudaram e me tornaram numa pessoa melhor só tenho dizer uma pequena palavra que devia ser usada muito mais vezes ao longo de todos os momentos, só tenho um eterno e imortal obrigado.


Mariana Costa, agora com 17 anos.


sábado, 2 de fevereiro de 2008

Perdão

A última vez que te vi nem tiveste a coragem de me olhares nos olhos. Não tiveste a coragem de me enfrentar. Soube que mudaste de casa, de telefone e de coração.
A última vez que entrei em tua casa para ir buscar as minhas coisas deparei-me com um espaço vazio, onde havia apenas uma mesa com a minha roupa dobrada, o meu perfume derramado e as minhas cartas espalhadas pelo chão. Mas estavam rasgadas, assim como todas as nossas fotografias. Isso magou-me mais do que tudo. Tiveste coragem para rasgares as nossas lembranças, para destruires o que restava de nós, mas não conseguiste olhar para mim e dizer_ "acabou". És um cobarde.
Apunhalaste-me pelas costas, cortaste-me aos pedaços e deixaste-me a morrer. Porque não conversaste comigo, não me explicste o que se passava? Tinhas de me destruir assim? Silenciosamente? Preferia que me tivesses dito a verdade, em vez de a oprimires. Preferia que me tivesses atirado à cara, no preto e no branco o que sentias. Tinha sido mais fácil. Deixava-me de ilusões e de sonhos e aterrava na realidade, num mundo onde estamos distantes e separados por um vácuo negro e obscuro no qual penetramos os dois, apesar de estarmos divididos por uma parede indestrutível e inquebrável. Tornamo-nos em dois estranhos, em duas sombras, em duas máscaras abandonadas e irrecohecíveis. Já não sabemos quem somos, o que fizemos e desejámos. Magoamo-nos mutuamente e tranformamo-nos em seres insensíveis e impiedosos.
Deviamos perdoar-nos um ao outro, seguirmos em paz com a nossa vida. Não digo esquecermos as decisões e as escolhas que tomamos. Digo deixarmos o assunto de parte, ficarmos livres e voarmos sobre o mundo.
Livres, livres, livres.
Conseguirei perdoar-te?
Conseguirás perdoar-me?
Não sei. A dúvida instalou-se em mim e estou aterrada e apavorada. Vivemos o mais bonito dos sonhos, mas estragamo-lo e rapidamente tornou-se num pesadelo.
Quero esquecer. Preciso de esquecer. Tenho de deixar as memórias para lá de mim.


Arranquei as cartas do chão, lavei-o tirando-lhe o cheiro da minha essência e peguei na minha roupa. Corri para o carro e o mais velozmente possível fui para a praia.
Lancei as cartas ao mar, queimei os vestígios materiais que restavam de nós. Apenas guardei o frasco de perfume que enviei para casa dos teus pais, juntamente com uma carta a dizer que ias entender.
Neste momento percebi.
Não me interessa se não me perdoaste. Sei que da próxima vez que te vir posso e devo cumprimentar-te. Devo lançar-te um sorriso e seguir o meu caminho.
Espero que sigas também.

Estás perdoado.



Mariana Costa

domingo, 27 de janeiro de 2008

Amizade

De mais ninguém, senão de ti, preciso:
Do teu sereno olhar, do teu sorriso,
Da tua mão pousada no meu ombro.
Ouvir-te murmurar: “Espera e confia!”
E sentir converter-se em harmonia,
O que era, dantes, confusão e assombro.



Carlos Queirós (poeta português, 1907-1949)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Papel

Somos como somos, com mais um ponto de exclamação ou sem umas reticências.

Somos uma página em branco pronta a ser preenchida. Não a podemos dobrar e fechar de maneira a que ninguém a consiga espreitar. Temos de a publicar, e deixar que ela se mostre ao mundo. Vai estar repleta de frases, linhas que nos definem, porque quem escreve nesse espaço somos nós, dependendo do que vivemos, vimos e sentimos. 

Somos um Nada no ínicio. Pensamos que somos Tudo no fim. Mas no fundo, não sabemos quem somos, sabemos apenas que podemos cobrir muitas páginas com a nossa caligrafia.



Mariana Costa

sábado, 12 de janeiro de 2008

Pinceladas





















Frio, frio vento que cortas a minha respiração e os restos da minha alma.
Trespassas a minha pele e tocas no meu coração, desenhando como um lápis agreste que me arranha e fere.

Suave, suave sol que me preenches e arrancas o mal que me assombra. Desaparecem os traços do vento e surgem os teus pincéis e as tintas cor de sonho. Sinto o toque dos teus raios na minha cara e os meus olhos abrem-se. 

O gelo derreteu-se e a cor desliza à minha frente. Deste-me harmonia, pincelaste o meu destino.



 Mariana Costa



quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Paris.

Após uma passagem de ano extraordinária na companhia de pessoas sem descrição, nada melhor do que iniciar o ano noutro lugar.


Paris, onde as ruas são mágicas, onde a cultura está instalada, onde a grandiosidade ecoa.
É vida, arte e luz. Tudo é grande e sumptuoso. Tudo é tocado por uma luz que nos envolve e nos cativa. O sol cai a lua cresce e o tudo e o nada tomam proporções diferentes quando sentem a luz da noite, levando a cidade a resplandecer cada vez mais. 

É em Paris que a cultura existe, que a beleza está implementada, que há museus por todo o lado, que há livrarias em todas as ruas, que há jardins em cada espaço livre, que há lojas em todas as portas, que há pessoas a vender quadros, postais, livros em cada canto possível.
Resumindo e concluindo, Paris é indescritível. Uma grande cidade repleta de mistérios e enigmas a desvendar.

Paris. 

What else?



Mariana Costa

p.s - imagens serão colocadas aqui logo que possível