Risco, apago, escrevo, apago. Fiz planos fantásticos que se esbatem com o levantar da persiana e suspiro como sempre depois de respirar fundo.Desisto. Vou dormir com as historias encalhadas na minha cabeça.
Ao levantar, sento-me com as imagens cheias de perfume enquanto tento encontrar a forma de encurralar cá dentro tamanhas vontades que me fazem sufocar na vontade de voar. Retenho a vontade de dizer ao mundo todas as coisas escritas por dentro e contento-me com o sabor da passagem dela que se embrulha no fugaz turbilhão dentro do estômago enquanto o peito parece saltar e seguir atrás do seu sorriso.
Não consigo explicar a mim própria o que não chora em palavras e quando fugir as imagens em câmara lenta parece ser mais difícil que acordar, fico adormecida. O olhar não sobe, os olhos não brilham, e pouco mais há a fazer, a música grita sem ser ouvida e a voz não sabe dizer o que na garganta aperta. Então que há a fazer? Dias e dias a vestir sorrisos roubados, a viver histórias alheias, a sonhar acordada, a dormir por dormir…e quando chega a altura de parar, quando chega a hora de pensar sem fugir em ideias forçadas, vejo claramente que falta o sabor de ser. Queria rasgar os dias que não são meus, queria saber de que sabor são as historias, queria saber a cor do quente, queria amarrotar as palavras e dizer algo certo, queria não sentir tanto ou não sentir que falta algo por sentir, queria não querer nada disso, queria querer só por querer ou talvez só por não ter, queria saber ou então não conhecer, só queria ser e poder ser e ser sem ser algo.
Mariana Costa, com vontade de escrever mas desorientada
Sem comentários:
Enviar um comentário