sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Desafio III

1. Que horas são?
17:05

2. Nome?
Mariana Costa.

3. Quantidade de velas no seu último bolo de aniversário?
18, com muito orgulho.

4. Furos nas orelhas?
Dois.

5. Tatuagens?
Nenhuma.

6. Piercings?
Zero.

7. Já foi à África?
Não, mas adorava ir.

8. Já ficou bêbado?
Nunca e não tenciono ficar.

9. Já chorou por alguém?
Obviamente.

10. Já esteve envolvido em algum acidente de carro?
Não, credo!


11. Peixe ou carne?
Depende do estado de espírito.

12. Música preferida?
Oh Deus, pergunta impossível de responder!

13. Cerveja ou Champanhe?
Nem um nem outro, mas se tiver mesmo de escolher prefiro Champagne.

14. Metade cheio ou metade vazio?
Meio cheio. Pensamento positivo, sempre.

15. Lençóis de cama lisos ou estampados?
Normalmente lisos.

17. Programa de televisão?
Grey's Anatomy.

18. Filme preferido?
Tantos.

19. Está ouvindo alguma música agora?
Sim sim.

20. Flor(es)?
Amores-perfeitos.

22. De que pessoa recebeu esse questionário?
Tia Zaza, as usual.

23. Qual o amigo mais distante que você tem?
Os verdadeiros estão sempre por perto.

24. O melhor amigo?
Cristina Braga e Gonçalo Seixas.

25. Hora de dormir?
Aos dias de semana entre as onze e a meia-noite. Aos fins-de-semana não tenho hora.

26. Quem acha que vai responder esse questionário mais rápido?
Não faço ideia, tendo em conta que isto nunca mais acaba.

27. Quantas vezes você deixa tocar o telefone antes de atender?
Até o encontrar e como muitas vezes está dentro da minha mala que é uma grande, mas mesmo grande confusão demora algum tempo.

28. Qual a figura do seu mouse-pad?
Branco com bolas de várias cores e tamanhos.

29. CD preferido?
Beaucoup!

30. Mulher bonita?
A minha avó. Por fora e por dentro.

31. Homem bonito?
Que pergunta me foram fazer!

32. Pior sentimento do mundo?
Impotência.

33. Melhor sentimento do mundo?
Amizade.

34. O que uma pessoa não pode ter para estar com você/ter sua amizade/companhia?
Não suporto cinísmo.

35. O primeiro pensamento que você tem ao acordar?
Normalmente: Quero continuar a dormir...

36. Se pudesse ser outra pessoa, quem seria?
Gosto de ser eu própria, mas não me importava de estar na pele de outras pessoas.

38. O que é que você tem debaixo da cama?
Rien de rien.

39. Nome da pessoa que talvez não responda ao questionário?
Qualquer um pode responder.

40. Aquele que com certeza vai te responder?
Vou arriscar... talvez a menina X.

41. Quem gostaria que te respondesse?
Ninguém em especial.

42. Uma frase:

“In order to be irreplaceable you must always be different."

Coco Chanel

sábado, 5 de dezembro de 2009

Closer

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Actualização

Este último mês tem sido uma loucura. Entrei na Faculdade de Direito de Lisboa sem saber o que estava ali a fazer realmente. Sem saber o que ia fazer ou como iria ser.
Sobrevivi às praxes, aos primeiros dias desnorteados, às 300 páginas para ler de um dia para o outro e às aulas com 200 pessoas. A faculdade é tão diferente. É mesmo uma nova etapa. E Direito não é fácil, pelo contrário é muito dificil. Todos os Professores/Doutores disseram logo: "A vossa vida pessoal acabou aqui. Acabaram-se os fins de semana se querem passar às disciplinas todas". Será excusado dizer que o pânico ficou instalado.
Por outro lado, comecei a aprender e a perceber o que é realmente o Direito. Não é só leis. É filosofia, economia, sensibilidade, senso comum, raciocinio e principalmente argumentação. Outra das coisas que os Senhores Doutores nos disseram foi: "Esperemos que se apaixonem pelo curso. Quando sairem daqui vão saber falar e argumentar tão bem que ninguém vai querer discutir com vocês!". E a verdade é que nestas semanas apaixonei-me pelo Direito. É um prazer estudá-lo e conhecê-lo. É um saber tão grandioso que nos faz crescer.

Termino confessando algo muito importante que aprendi até agora: ninguém na Faculdade de Direito de Lisboa, considerada a melhor do país, é normal.


quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Desafio II

1) Qual é o teu nome?
Mariana.
2) Por que é que te deram esse nome?
Porque a minha mãe desde pequena que gosta deste nome.
3) Fazes pedidos às estrelas?
Quando são estrelas cadentes.
4) Quando foi a última vez que choraste?
Domingo.
5) Gostas da tua letra?
Normalmente sim, mas há sempre aqueles dias em que nada do que escrevo sai bem.
6) Gostas de pão com o quê?
Com manteiga e doce de morango. E de preferência torrado.
7) Quantos filhos tens?
Zero.
8) Se fosses outra pessoa serias tua amiga?
Sim.
9) Saltarias de bungee-jump?
Depois de uma experiência radical neste verão, cheguei à conclusão que sim. Mas nunca sozinha!
10) Desapertas os sapatos antes de tirá-los?
Às vezes a preguiça é mais forte que eu...
11) Acreditas que és uma pessoa forte?
Não sou tão forte como pareço.
12) Qual é o teu gelado favorito?
Qualquer um do Santini.
13) Preferes vermelho ou preto?
Preto. Mas o vermelho é uma das minhas cores preferidas e sempre me disseram que fico muito bem com ele.
14) O que é que menos gostas em ti?

O facto de guardar tudo cá dentro.
15) O que é que mais gostas em ti?
A minha capacidade de ouvir.
16) De quem é que sentes saudades?
Da minha avó.
17) Descreve a roupa e o calçado que estás a usar agora.
Vestido branco e um casaco de malha lilás. Ah, e estou descalça como sempre.
18) Qual foi a última coisa que comeste hoje?
Lanche: um iogurte de morango e umas bolachas de maçã e canela.
19) O que é que estás a ouvir agora?
A minha irmã a tomar banho.
20) Quem foi a última pessoa com quem falaste ao telefone?
Gonçalo Tito Resende Ribeiro Silva Seixas.
21) Qual é a tua bebida favorita?
Sumo natural de manga.
22) E comida?
Saladas, Rosbife e Salmão.
23) Qual foi o último filme que viste no cinema? Com quem?
State of Play. Com a minha tia Zaza, eterna companheira de cinema.
24) Qual é o teu dia favorito do ano?
Não tenho nenhum em especial.
25) Preferes Inverno ou Verão?
Os dois. Só não gosto da Primavera e do Outono.
26) Preferes beijos ou abraços?
Um abraço no momento certo faz milagres.
27) Qual é a tua sobremesa favorita?
Salada de fruta acompanhada de um doce qualquer.
28) Que livro estás a ler?
O Sétimo Selo, José Rodrigues dos Santos.
29) O que tens na parede do teu quarto?
Quadros com fotografias e postais, e no futuro molduras com fotografias.
30) Quais são os teus filmes favoritos?
A vida é bela, A Janela Indiscreta, Milk, Moulin Rouge, Chicago, Breakfast at Tiffany's, muitos mais.
31) Qual foi o lugar mais longe a que já foste?
Paris.
32) Diz uma música.
Velha Infância, Tribalistas.
33) Diz uma frase.
"Houve um anjo que partiu para o céu mas mais dois que aterraram na terra."


(Desafio proposto por e-mail)

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Madrugada (III)

Oito e meia da manhã. O sol já brilha e Paris já funciona a todo o vapor. Encostada à ponte virei-me para o rio. Agora sou eu que tenho de confessar o que se passou durante estes anos. Questiono-me se o que te vou dizer se poderá comparar com a notícia que acabaste de me dar. E ainda tenho de te responder. Serei capaz?
- "Quando recebi a proposta de vir trabalhar para aqui pensei muito antes de a aceitar. Era a minha vida, os meus amigos, a minha família e tu. Custou-me muito deixar tudo. Sabia que nunca virias comigo e nunca me sentiria bem se te sentisses obrigado a fazê-lo. Por isso, decidi anunciar-te a minha decisão, sem sequer colocar hipóteses ou dúvidas."
- "Sempre foste pragmática."
- "Sim, tens razão. Mas tu guardavas tudo para ti. Sabes que se te tivesses aberto comigo eu tinha ficado contigo. Nunca teria hesitado. Naquele dia em minha casa foste tão frio comigo. Parecias feito de gelo. Nada do que eu disse e todos os carinhos que te dei pela última vez não te fizeram mudar. Quase nem olhaste para mim. Os teus olhos fugiam dos meus. Senti que se se cruzassem não seria possível estancar a dor que deles saíriam. Nunca mais me esqueço do nosso último diálogo. Estavamos dentro do carro à frente de tua casa. Perguntei-te se me amavas mas calaste-te. Esse silêncio magoou-me tanto. Finalmente disseste: Está a chover. Ao que eu respondi: Está a chover é dentro de mim. Foi a última vez que te vi até hoje."
De repente, senti a tua mão na minha.
- "Desculpa. Só te posso dizer desculpa."
- "Sabes, Paris ensinou-me a perdoar. Aprendi que no amor comete-se erros e que o tempo os cura. Apesar desta nossa dolorosa separação continuas a ser o amor da minha vida. Nunca perdemos o contacto total. Mesmo quando estive com outras pessoas olhava para o telemóvel todas as noites sem falta em busca de um sinal teu. Fiz disso um hábito.
E agora voltaste. Deixaste-me sem forças para pensar, sem raciocinio possível. Fiquei sem palavras com esta surpresa. Por isso, digo-te sinceramente: não sei. Não consigo saber se ainda vens a tempo.
Virei-me para ti. Limpaste a lágrima que escorria nos meus lábios.
- "Só te vou dizer mais uma coisa Isabel. Conhecer-te foi a melhor coisa que me aconteceu. Ensinaste-me tudo."
- "Deixa-me pensar. Preciso de estar sózinha."
- "Queres que te leve a casa?"
- "Não. Deixa-me ir."
Virei-te as costas e fui andando em direcção ao Louvre. Olhei para trás e ainda lá estavas. Parado a olhar o rio. Continuei em frente. Senti o meu telemóvel vibrar enquanto descia as escadas do metro. Eras tu. Outra vez.
- "Estou em tua casa às sete e meia para te levar a jantar."
Desligaste. No fundo eu sabia que as surpresas ainda não tinham acabado.
Tenho saudades tuas. Sinto falta das noites no Miradouro da Senhora do Monte. Dos passeios infinitos pelo Restelo. Dos lanches na Versailles onde tens conta aberta. Das danças em tua casa. Das mensagens que me mandavas depois de me levares a casa a dizeres que fazias tudo outra vez. Meu amor, tenho saudades tuas. Tenho saudades de nós.
Cheguei a casa e fui direita para a cama. Descanso. Paz.
Quando finalmente acordei fiz um banho de imersão. Entrei e senti o passado a sair de mim. Já tomei a minha decisão.
Quando chegaste disse-te para subires.
- "Estás linda Isabel."
- "Obrigado, tu também. Como sempre."
- "Vamos jantar?"
- "Vamos, mas é aqui."
- "Aqui?"
- "Não queres ir a um restaurante?"
- "Não e primeiro que tudo quero que venhas ali à varanda comigo."
Senti os teus passos atrás de mim. Abri a janela e saí. Está frio. Muito frio.
- "Isto que vês aqui", disse mostrando a vista da cidade, "é a minha vida agora. Isto sou eu."
- " Eu sei e é por isso que venho viver para cá."
- "Estás a falar a sério? Não brinques comigo."
- "Nunca falei tão a sério na minha vida. Tenho de fazer o que devia ter feito antes."
- " E o que é isso?"
Sorriste e aproximaste-te de mim. Enrolaste-me nos teus braços e apertaste-me. Senti a tua respiração tão perto como se fosse fundir com a minha.
- "Amar-te."
Ao fundo as luzes brilhavam iluminando a noite. Ao fundo o Arco do Triunfo. Ao fundo La Concorde. Ao fundo a Place Vendôme. Ao fundo a Torre Eiffel. Ao fundo o Sacré Coeur. Ao fundo Nôtre-Dame. Ao fundo o Sena. Ao fundo a Cidade da Luz. Ao fundo Paris.

(The end.)



domingo, 6 de setembro de 2009

Madrugada (II)

Sete da manhã. Estivemos abraçados em silêncio durante muito tempo. Quando nos afastámos nem tinha noção das horas. Limpaste as lágrimas e disseste:
- "Vamos passear?"
- "Está muito frio."
- "Quero ver Paris. Quero ver o nascer do sol em Paris. Quero ver o nascer do sol contigo."
Fiquei sem saber o que dizer. Por um lado tenho saudades tuas. Por outro sinto que o que tinhamos nunca acabou. Ficou apenas escondido. Agora que nos vimos reacendeu-se qualquer coisa que eu pensava já não existir. Mas não te posso falhar. Não agora que precisas de mim. A nossa amizade é mais forte que os meus medos de me magoar.
- "Está bem."
- "Sei que hesitaste."
- "Admito. E não me perguntes porquê porque nem eu própria sei. Ainda não consegui perceber o que estás aqui a fazer, porque me vieste procurar ou a razão de teres admitido que és um cobarde por nunca nos termos visto desde aquele dia. Ainda não sei se isto é real."
- "Claro que é real Isabel. Não hesites em vir comigo. Eu mudei. Preciso de te contar o porquê. Por isso é que quero ir passear."
- "Então vamos."
Ligaste o carro. Começou a tocar: Dance me to your beaty with a burning violin, dance me through the panic till I'm gathered safely in, touch me with your naked hand or touch me with your glove...
- "Trouxe este cd para ti, mas não resisti em ouvi-lo antes de te dar."
- "Não precisavas de me trazer nada. Estares aqui ja é suficiente."
- "Não Isabelinha, sabes que não é."
- "Não me chames isso. Já ninguém me chama isso."
- "Eu chamo e apesar de ter sido um estúpido e tudo o que me quiseres chamar, ainda sou alguém."
Paraste o carro. Saíste, abriste-me a porta e agarraste-me pelas mãos.
- "O que estás a fazer?"
- "Danças comigo?"
- "Aqui? No meio da rua?"
- "Sim! Anda lá..."
E dançámos. Senti-me feliz como há muito não me sentia e aquele je ne sais quoi de que duvidara desapareceu. Assim que puseste a mão na minha cintura e sussuraste ao meu ouvido - Dance me to the end of love - esvaíu-se em sorrisos e desfez-se em beijos esquecidos.
De repente, desligaste a música, trancaste o carro e puxaste-me. Começámos a correr sem rumo. Ao longe vi a Torre Eiffel e à medida que nos fomos aproximando comecei a ver o reflexo da lua na àgua. O Sena brilhava. Parámos numa ponte e inclinaste-te sobre o rio.
- "Sabes Isabel, quando me disseste que vinhas morar para Paris o meu mundo desabou. Não te disse nada. Nem eu sabia o que estava a sentir nessa altura. Só me apercebi disso há muito pouco tempo. Deixei-te escapar e por isso nunca me perdoei - O sol começava a despontar. - Herdei a empresa do meu pai. Quando ele morreu concentrei-me em ser o melhor, em conseguir preencher os seus feitos. Orgulho-me de poder dizer que consegui, mas em troca perdi muito de mim.
Nunca cheguei a casar, para desgosto da minha mãe que insiste sempre que pode."
Olhei o céu. Eu sabia que nunca te tinhas casado. Sempre tive essa esperança.
- "Tive outras relações, tal como imagino que tu também tenhas tido, mas nenhuma como a nossa. Vi os meus irmãos casarem.Vi todos os meus amigos felizes, a encontrarem o amor. Chamam-me o playboy. O que eles não sabem é que o que eles tanto procuraram já eu tinha encontrado contigo."
Deste um passo na minha direcção. Olhaste-me com os teus olhos negros como um corvo.
- "Lembras-te da minha irmã Sofia?"
- "Lembro claro! Ainda era uma criança quando vim para aqui."
- "Foi ela que me fez mudar. Está doente. Tem SIDA."
Foi como se ficásse muda. O frio que sentia intensificou-se. Então era isso que te fazia chorar.
- "Só te posso dizer que estou aqui para ti e que sei que não há palavras que te possam reconfortar o suficiente."
- "Enganas-te querida. O facto da morte da Sofia estar tão perto fez-me perceber que falhei em quase toda a minha vida. Sabes o que ela me pediu?"
- "Não."
- ""Vive por mim." disse ela. E isso eu não posso fazer sem ti. Por isso pergunto-te: Ainda vou a tempo?"
Olhei agora para o rio. É a minha vez.

(To be continued)


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Madrugada

Uma da manhã. Entrei em casa e como é hábito fechei a porta e tranquei-a com as voltas todas. É um gesto automático. Tirei o casaco, o cachecol e fiz um chá. Calhou ser aquele que tanto gostas.
Bebi-o em pequenos golos, cuidadosamente para não me queimar. Senti o suave toque percorrer o meu corpo e o calor a invadir-me.
Num impulso vesti o casaco e fui à varanda. Está uma noite de Inverno linda. Não chove, não está vento, está apenas frio. Muito frio. Voltei para dentro e deitei-me. Antes de apagar a luz olhei para o telemóvel uma última vez à tua procura. Nada.
Senti qualquer coisa vibrar. O telemóvel. Eras tu. Por momentos hesitei se devia atender ou não.
Tive medo da tua voz estar diferente, de não te reconhecer. Mas caí em mim. Sentei-me na cama e carreguei no botão:
- "Estou?"
- "Acordei-te?"
A tua voz é igual. Em nada mudou.
- "Sim. Normalmente às cinco e meia da manhã está-se a dormir. Só tu para me ligares a esta hora. Aí é menos uma hora, mas mesmo assim."
- "Minha querida eu não estou em Portugal."
- "Para que parte do mundo foste tu desta vez?"
- "Isabel, queres vestir qualquer coisa e vir ter comigo aqui ao carro? Estou parado mesmo em frente ao teu prédio."
- "O quê? Não acredito."
- "Queres que toque à campainha?"
De ti esperava tudo menos que viesses ter comigo. Não me espantava que estivesses em Nova Iorque, no Rio de Janeiro ou na Cidade do Cabo e te lembrasses de me telefonar sem ter em conta o fuso horário. Sempre foste homem de fugir de ti próprio. Eu sabia quando te disse que vinha viver para aqui. Nunca te pedi nada. Achei que não tinha esse direito. Por isso separamo-nos e fizemos um pacto: eras sempre tu a dar notícias, eu só te diria alguma coisa se fosse muito importante. Esporadicamente ligavas. Mas nunca ao longo destes anos vieste ter comigo. Viajaste por todo o mundo, mas esqueceste esta cidade. Esqueceste este universo fechado num pequeno espaço. Esqueceste Paris.
- "Eu desço."
Vesti-me num instante. Voei pela casa e meti-me no elevador o mais rápido que pude.
Procurei o teu carro com o olhar. Lá estavas tu. Ao contrário da tua voz, envelheceste. Não és o único. O tempo passou por nós sem dó nem piedade. Mas continuas bonito. Sempre o foste. Sempre foste o galã das noites de Lisboa e o que todas queriam. Sempre estiveste rodeado de pessoas por todo o lado. Estavas sempre acompanhado. Agora ali sentado pareceste-me tão sozinho, tão abandonado como uma criança perdida. Percebo porque me vieste ver. Precisas de te reencontrar e para isso precisas de quem te conheça. Quem melhor do que eu?
Corri até ao carro, abri a porta e sentei-me a teu lado. Olhavas o horizonte. Silêncio.... Lentamente viraste-te para mim, aproximaste-te, deste-me um beijo na testa e disseste:
-"Finalmente ganhei coragem. Sim Isabel, admito: sou um cobarde por nunca te ter vindo ver."
Não resisti e abracei-te. E de repente, senti uma lágrima escorrer pela tua pele. Nunca mais me esqueci desse momento. Nunca te tinha visto chorar.

(To be continued)


quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Escape to paradise


Para onde vou?

Lagos, com a minha mais-que-tudo = melhor amiga
Albufeira (Balaia), com a famíla

Daqui a duas semanas volto e não fico por lisboa não! Cascais espera-me outra vez, mas agora com companhia!

Em Setembro vou onde o vento me levar.
Outubro já tem destino reservado e nada o pode mudar.

Despeço-me com a única fotografia que descobrimos da noite maravilhosa que tivemos no Rs - Dreams, ao som do rei Bob.




segunda-feira, 20 de julho de 2009

A Carta

Querida avó,

Antes de mais quero deixar aqui bem explícito que não é de ânimo leve que te escrevo esta carta. É fruto de muitas folhas rasgadas, de muita reflexão e de muitas horas de deambulações. É primeiro que tudo um suspiro que espero que oiças e acolhas como se estivesses aqui à minha frente.
Foi com muita felicidade que terminei o 12º ano e com muita tristeza que não te pude abraçar no último dia. Desde pequenina sempre achei que estarias aqui quando fizesse os exames, quando me fosse candidatar à Faculdade, quando fizesse 18 anos e quando esta etapa da minha vida terminasse. Mas não estavas. E penso nisso todos os dias sem excepção. Gostava tanto que me visses agora... Gostava que, pelo menos uma vez, pudesses ver no que me tornei, o que cresci e o que vivi.
Acredito que sabes que o que sou hoje a ti o devo acima de todos. Não é à minha mãe ou ao meu pai. Também não é à minha tia que adoro e que apesar de tentar preencher o teu vazio não consegue. É a ti. Sinto que te conheci, mas queria mais, muito mais. O Tempo não nos deu tempo para nos conhecermos ainda melhor. Quando adoeceste descobri o Silêncio dentro de mim. Não sabia que o tinha. Emergiu também o Medo. Porque fui eu que te levantei do chão quando desmaiaste. Porque era eu que sabia todos os comprimidos que tinhas de tomar todos os dias. Porque era eu que fazia de tudo para te aquecer quando tinhas frio. Porque chorei quando percebi que não era capaz de te ver a sentir mal todos os dias. Porque não deixei que visses as minhas lágrimas quando percebi pela primeira vez na minha vida que não conseguia tomar conta de ti sozinha. Ainda oiço as últimas palavras que me disseste : "Vai, mas volta depressa porque preciso muito muito de ti." Foi a última vez que te ouvi falar ou que te vi. Mas nesse momento senti um aperto no coração e soube que alguma coisa ia acontecer.
Recusei ir ao teu funeral e nunca fui ao cemitério ver-te. Muito insistiram comigo mas não deixei que essa fosse a última imagem que tinha tua.
Ainda hoje sofro com esse Natal, por isso deixou de ser uma época feliz para mim. No entanto, já estou a recuperar. As minhas feridas estão a sarar. A pouco e pouco o sangue vai estacando e secando. Isso devo a mim própria, mas também a quem me apoiou. Orgulho-me de te ter chegado a apresentar os meus melhores amigos. Acho que gostarias de saber que estiveram aqui sempre que precisei, para todos os momentos, a qualquer hora. Foram eles que me distraíram e ajudaram a esquecer a dor que sentia.
Agradeço-te por me teres ensinado a escolher tão bem as pessoas com quem me dar e por me teres mostrado o mundo dentro dos livros e das palavras, o bem e o mal, o escuro e a luz.
Para terminar esta carta, devo dizer que ainda hoje sinto a tua falta. A Saudade ainda não voou. No entanto, faço questão que saibas que cresci. Apesar de não me puderes dar a mão, fizeste-me crescer. Vivi sensações e pensamentos que não desejo a ninguém, mas apesar de tudo ajudaram-me a ser uma pessoa melhor.

Despeço-me sabendo que me acompanharás em todas as etapas da minha vida e que a minha felicidade é a tua.

Serei sempre, sempre a tua Marianinha.

sábado, 11 de julho de 2009

Melhor é impossível

Estavamos sentadas no sofá a ver televisão na posição habitual.
Até que alguém diz:
- Ainda ontem falei com a (...) e disse que voçês parecem mesmo irmãs."
Olhamo-nos e sorrimos.
- Nunca vos vi discutir, nunca se zangaram de uma maneira muito forte, não há nada que as separe. O que vos une é muito forte. Respeitam-se mutuamente acima de tudo.

Haverá maneira melhor de acabar a noite?

Sim, respeitamo-nos mesmo tendo opiniões contrárias. Mesmo sendo diferentes como somos. Mesmo tendo valores que muitas vezes não correspondem. Mesmo quando as decisões que tomamos levam a caminhos diferentes.
Nunca discutimos e muito menos levantámos as vozes uma à outra. Somos capazes de nos pormos na pele uma da outra. Temos essa capacidade rara que hoje em dia está cada vez mais em via de extinção.


quinta-feira, 25 de junho de 2009

À luz das velas...

Após semanas a dedicar a minha vida aos livros e de finalmente tudo ter acabado (apesar de ainda faltar ver as notas) a única coisa que eu queria era descansar. Paz, sossego e matar saudades da liberdade perdida e de momentos deixados em stand-by.
O último objectivo está quase cumprido e esperava eu que os primeiros não fossem dificeis de completar. Quem me manda a mim pensar?
Para além de não ter bateria no telemovel, o que não me permite comunicar com o resto do mundo, e de ter vindo à procura do carregador que depois vim a descobrir que afinal não está onde era suposto e que deve ter sido a empregada que mudou de sítio, passei a noite à luz das velas. Literalmente. Numa moradia antiga, sem electricidade. Pensei eu que fosse um problema da casa, visto que já tem mais de 40 anos, mas não! Depois de 2 horas à espera dos senhores da EDP que confirmaram a minha teoria, ou seja, uma vez que a casa já não vai para nova a construção não é propriamente moderna, a caixa da electricidade esta na casa pegada a nossa e não vive lá ninguém. Ora os senhores da EDP não podem andar a invadir propriedade privada como é obvio! A solução encontrada: esperar até ao dia seguinte. Bom, entretanto já eram umas dez da noite e o frigorifico cheio de comida a estragar-se! Valeu-nos o senhor do café que muito simpáctico foi e nos deixou por algumas coisas na sua arca congeladora e o gelo que conservou alguns alimentos.
Mas isto não termina aqui. Pensava eu! Entretanto a EDP liga a dizer que vêm cá outros senhores para fazer uma solução provisória! Lá vieram e muito eficientes eram porque descobriram, horas mais tarde, que o problema foi.... Os vizinhos do lado não pagaram a conta e como esta tudo ligado, quando a EDP lhes cortou a energia electrica, como diz a minha irmã, lá se foi a nossa também! Nunca isto me tinha passado pela cabeça.
A que horas saíram os senhores daqui? Muito, muito tarde e só depois de terem puxado todos os cabos possiveis e imaginários para nos darem luz.

É nestas alturas em que ter uma ligação na EDP não fazia mal a ninguém, mas depois de ver "State of Play" essa ideia saiu logo da minha cabeça. (Já agora aconselho vivamente este filme.)

A minha noite de paz e sossego? Ficou para outra altura.
E repito: quem me manda a mim pensar?

terça-feira, 16 de junho de 2009

One to go!

Um está feito! Fazer não custa, custa sim ver as notas no fim.


Next please...

quarta-feira, 10 de junho de 2009

E depois da tempestade...

... não, não vem a bonança. Ainda não. O pior ainda está para vir.
Refugiei-me para não me distrair, para encontrar o silêncio por entre as sombras do jardim e e os cheiros das flores. Para me me esconder dentro dos livros, que têm de mergulhar na minha cabeça, para poder espalhar pela casa todos os papeis e cadernos sem me preocupar se alguém os vai mudar de sítio.
Vim para poder descansar e trabalhar ao mesmo tempo. Não consigo estar fechada o dia todo como o meu professor de português aconselha a fazer. O "encarceramento" é para quem não fez nada o ano inteiro, para quem não trabalhou quando podia. A mim resta-me rever e praticar.
Além de que sou e sempre fui apologista de que sem descanço não há trabalho.
Fim do dia. Estudei de manhã e depois do almoço. São seis da tarde e o sol ainda está alto. O que fazer? Aproveitar as três horas de luz na areia e talvez no mar. Se o tempo não ajudar nem preciso de sair do carro. Chega-me a brisa marítima a que eu chamo de "cheiro a Guincho" para recuperar as forças perdidas. E concluo: quem trabalha tem descanso merecido.

sábado, 23 de maio de 2009

Cat fight

Valeu a pena ficar em casa numa sexta-feira à noite só para ver esta cena.

Mas realmente, ao ponto que se chegou! Onde é que já se viu isto? Para mim, isto só tem um nome: peixeirada.

Alguém me explica, por favor, até onde é que esta loucura vai?




sexta-feira, 8 de maio de 2009

Preciso de...

(*)

Rir até me doer a barriga. Conversas sem sentido algum. Sentir a areia e o sol na pele. Mergulhos no mar às 7 da manhã. Dançar até cair. Confidências pela noite dentro. Esquecer as coisas tristes.
Ler à beira da piscina. Sentir-me leve. Shots perigosos. Dormir sem horas. Recarregar baterias.
Ir de férias.
Dos amigos de sempre e para sempre.



(*) Balaia 2007 - O que eu não dava para lá estar agora...

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Desafio

Olhos: Castanhos
Cabelos: Pretos
Altura: 1,72 m.
Ascendência: Portuguesa
Signo: Aquário
Sapatos que estou a usar: Descalça. É raro não estar descalça em casa.
Fraqueza: Preguiça.
Medo: De ter medo.
Objectivos que gostaria de alcançar: Sem dúvida, evoluir.
Frase que mais uso no Msn: Jesus Cristo! (mas isso até cara a cara digo).
Melhor parte do corpo: O cérebro, como é obvio!
Pepsi ou cola: Cola.
MacDonald's ou Bob's: Se não houver outra hipótese... MacDonald's.
Café ou Capucino: Capucino. Café, só o cheiro.
Fuma: Não é costume.
Palavrões: Muito raro. E se digo, não é a toda a gente.
Perfumes: Calvin Klein - Eternity ou DKNY - Be Delicious
Canto: Bastante mal, mas não é por isso que deixo de cantar.
Tomo banho todos os dias: É um prazer indispensável.
Gostava da escola: Tendo em conta que ainda lá estou... Tem dias, mas não há outro remédio.
Acredito em mim: Se não for eu a fazê-lo ninguém fará por mim.
Tenho fixação com a saúde: Não.
Dou-me bem com os meus pais: Unica e exclusivamente com a mãe.
Gosto de tempestades: Dispenso, só se estiver em casa enrolada numa manta e a beber chá.

No último mês...

Bebi alcool: Of course!
Fumei: Uma vez e com a melhor amiga.
Fiz compras: Inevitavelmente.
Comi um pacote inteiro de bolachas: Só se quisesse apanhar uma dor de barriga descomunal.
Comi sushi: Não.
Chorei: Sim.
Fiz biscoitos caseiros: Biscoitos não, mas cozinhei!
Pintei o cabelo: Não.
Roubei: Não.
Número de filhos: No último mês? Nenhum... E nos outros anteriores também não graças a deus.
Como quero morrer: A dormir.
Piercings: Nenhum.
Tatuagens: Nenhuma.
Quantas vezes o meu nome apareceu no jornal: Nenhuma.
Cicatrizes: Também não.
Do que me arrependo de ter feito: De nada... arrependo-me sim do que deixo por fazer.
Cor favorita: Vermelho e roxo.
Disciplina favorita na escola: História.
Um lugar onde nunca estive e gostaria de estar: Depende do estado de espírito, mas neste momento, Itália.
Matutino ou nocturno: Posso afirmar que sou um mix, tanto gosto de levantar cedo como de deitar tarde.
O que tenho no bolso: Nada.
Em dez anos imagino-me: Não imagino, quem sabe o que o destino reservou para mim?


(Desafio proposto via e-mail)

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Nuvens cinzentas

Amar não é facil.
Não me estou a referir ao amor de um casal, nem ao amor de paixão. Estou sim, a falar do amor de amizade, amor de família.
É este o amor que doi mais. Aqui, é mais dificil "andar para a frente" se há erros. Aqui, a insinceridade não tem perdão. Porquê? Porque é aqui que é suposto refugiarmo-nos quando o mundo desaba. Porque esperamos o eterno, quando apenas o presente existe. Porque temos por garantido o que pode não o é.
O amor não é construído num dia. Leva anos, muitos anos a ser consolidado, a ser cimentado em nós até sermos um monumento sólido. O problema é que também nos pode iludir. Podemos passar meses e anos a pensar que o que sentimos é amor. Só que um dia, tiram-nos o tapete debaixo dos pés. E aí? Se não nos tivermos enganado vem a fase das desculpas e do perdão. Se era tudo mentira, o silêncio cria uma "cortina de ferro" que muito dificilmente será quebrada. Acredito que o bom da verdadeira amizade é a facilidade com que perdoamos. Mas não podemos deixar o tempo fluir porque quando nos arrependemos podemos estar numa altura em que nunca voltamos a ser o que eramos. Simplesmente não é possível. As conversas não são as mesmas, o que nos une é apenas a separação, mudamos, crescemos e não nos reconhecemos. Podemos ter saudades do que outrora fomos, dos momentos que passámos, até podemos falar como dantes. Mas não é o mesmo. A confiança foi enterrada e é um trabalho muito doloroso, escavar até a encontrar de novo.

Talvez isto seja apenas uma reflexão sem fundo. Talvez isto seja apenas o tempo cinzento a trazer-me pensamentos pessimistas. Talvez esteja errada. E errar é bom.

sábado, 28 de março de 2009

Gran Torino





Há filmes assim, que nos tocam onde nenhum outro filme o conseguiu. Que nos atingem o âmago e nos desfazem. Que significam muito mais do que aquilo que se vê no grande ecrã.
Clint Eastwood é exímio nisso. Em fazer com que todos os sentimentos escondidos ou que até então não sabiamos existir, ganhem cor e razão de ser. E quando ele canta, com aquela voz que entra na alma, a música que escreveu e compôs com Jamie Cullum, transforma o final deste filme numa das cenas mais bonitas e arrebatadoras que já vi.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Às vezes no silêncio da noite é isto que sinto...

Há momentos na nossa vida em que é preciso parar. Flutuar, sentir a àgua na nossa pele. Mais nada. Não temos de ouvir, nem de falar, temos apenas de permanecer imóveis. Não é possível pensar neste mundo.
Cheguei a um ponto em que já não me consigo ouvir a mim própria. Já não sei o que digo e o que deixo por dizer, ou o que devo dizer e o que não devo. Quero-me esconder, desaparecer, tornar-me invisivel, ficar só. A solidão assusta-me, mas não é por isso que deixo de admitir que me faz bem. Preciso de me desligar de tudo. Preciso de tempo para mim. Preciso de descansar e de silêncio.
Não quero telemoveis, televisões e computadores. Quero o céu. Quero sentir os sonhos em chama. Quero apagar o passado. Deitar-me na cama e olhar o tecto branco. Ter a certeza que venha o que vier, vou estar sempre acompanhada. Saber que tudo o que aconteceu fez de mim uma pessoa mais forte. Quero ter medo e ser livre de chorar. Mas acima de tudo quero que me tirem este peso que sinto. Quero que deixem de pensar que sou eu e sempre eu que tenho de fazer tudo. Quero que me façam surpresas. Quero abrir a porta de casa e ter à minha frente alguém a dizer que me ama.

sábado, 21 de março de 2009

No title



domingo, 15 de março de 2009

Some things are simply meant to be



Slumdog Millionaire.
One word: Destiny.

terça-feira, 3 de março de 2009

Aqui procura-se o tempo

Há quase um mês que aqui não escrevo. Não por falta de inspiração, não por falta de paciência, não porque não tenho internet. Não escrevo porque o tempo não chega. Não é suficiente para tudo o que tenho de fazer.
Sim, tenho todas as tardes livres mas isso não significa que tenha menos trabalhos, menos matéria para estudar, mais minutos livres para pensar. Cada segundo que passa o stress aumenta. Nem consigo imaginar as pessoas que deixam tudo para a última da hora.
O tempo não chega. Passo as tardes enfiada nos livros de história a conhecer o Estaline, o Hitler e o Salazar; a ler poemas, a descobrir o Fernando Pessoa; a sublinhar o manual de Sociologia, e a perceber como o mundo se tornou numa "aldeia global"; a fazer trabalhos de Educação Física sobre as capacidades motoras de cada um de nós e a viajar pela União Europeia, num interail digital para Área de Projecto; a ajudar a irmã com contas de matemática; a adiantar o jantar, e no meio deste universo exaustivo que me consome, ainda me esforço por manter as amizades.
O sol vai-se e ainda há coisas por fazer. Mas não aguento mais. Chego à noite e só preciso de paz e sossego. O meu livro e silêncio. O meu bloco e uma caneta. Uma manta e televisão. Sempre com um chá para acalmar.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Crescer

Hoje, olho-me ao espelho e vejos como os anos passaram. E em mim reflectem-se agora, as vezes que sorri, as vezes que chorei, as vezes que fiquei surpreendida, as vezes que nada disse e me mantive em silêncio. Cada vez diferente, cada uma delineou em mim uma linha própria formando a minha História. A minha Vida. Apercebi-me que estou diferente, que não sou a mesma e que ainda estou a crescer. No fundo, crescemos a vida toda. E o tempo não pára. Não o podemos suspender e ficarmos iguais o resto da vida. Temos de o aceitar como parte evolutiva do nosso ser, abraçá-lo e aproveitá-lo. 
Hoje, começou um novo ciclo. 
Ontem, fiz 18 anos. E o que significa isso? Significa que já posso participar activamente na nossa sociedade, quer dizer que aos olhos do mundo já não sou uma criança e que legalmente passei a ser adulta. É um grande passo, muito grande. 18 anos só se faz uma vez na vida. É bom chegar a esta idade e ter memórias maravilhosas, e estar rodeada da melhores pessoas do mundo. Porque não há nada que ultrapasse uma tentativa de me surpreender (com a melhor das intenções) que eu adorei, apesar de não ter resultado. Não há nada melhor que ter duas pessoas a cantar os parabéns baixinho no metro. Não há nada superior a uma noite desorganizada, com boas conversas e gargalhadas. Mas o melhor é quando se pensa que tudo acabou, só que no fundo a surpresa ainda está para vir. Não há nada melhor que ter quem amamos a lutar por nós, sem desistir para nos ver sorrir.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Fuga

Fiz as malas e parti. Pareceu tão simples naquele momento. Foi como preparar uma viagem, com a diferença que era sem retorno. 
Mas agora, aqui sentada e a escrever-te esta carta, digo-te que deixar-te foi o mais difícil que fiz na vida. Porque durante anos, meses, dias, horas, minutos e segundos sufocaste-me. Tudo o que respirei eras tu, tudo o que saboreei eras tu, e tudo o que vi eras tu. Pus de parte tanto, tanto por ti... Mas tu não fizeste o mesmo por mim, e por isso parti. Abdico de te tocar, de te cheirar, de te amar para que compreendas que uma relação é composta por duas partes. Sinto-me só, tão só que parece que estou morta. Já não sinto o coração a bater, cheiro a cadáver, e por dentro desfaço-me cada vez mais. Continuo à espera da tua respiração junto da minha pele para saber que está tudo bem. Só que não está nem nunca vai voltar a estar. Estou cansada de esperar, desgastada da tua voz que parece uma cassete a repetir - amo-te - tantas vezes que já não significa nada. Talvez se eu tivesse chorado, se eu tivesse feito uma cena, se eu me tivesse rebaixado houvesse esperança. O problema é que nem assim te irias importar. E quanto mais penso em nós questiono se existiu realmente um Nós. Porque agora que me sinto a desaparecer e a transparência percorre cada milimetro do meu Ser percebo que apenas eu partilhei, apenas eu estive lá e tu eras um fantasma que assombrava o sonho que eu construi do que nós seriamos. 
Vou ser sincera meu amor, e uso este termo carinhoso pela última vez, enquanto estava no comboio não derramei uma única lágrima. Mas assim que cheguei aqui, a este quarto de hotel frio e gelado, senti-me vazia e chorei. Deixei as memórias esvaírem pelo sangue que derramo constantemente pelas feridas que me causaste. Afinal ainda estou viva, o sangue continua a escorrer. Mais valia estar morta, porque o vermelho torna-se cada vez mais transparente, acompanhando a minha solidão e transformando o meu corpo num vácuo em que nada vive.
Gostava de saber no que errámos... Fui eu? Foste tu? Só sei que não aguentei mais. O silêncio absoluto em que as palavras ficaram por dizer e as emoções por contar substituiram o tempo em que estavamos completamente em sintonia, embebidos um no outro. 
Quero que saibas que vou ter saudades tuas. Vou sentir a tua falta, mais do que se quer a àgua para matar a sede, mais do que o Inverno deseja o Sol. Admito que te quero, e que estou tentada a regressar, mas já tomei a minha decisão de te abandonar. Vou ter de me habituar a caminhar sozinha e a ter apenas a companhia dos meus próprios passos. 
Vou largar-te, é a única solução que há. Sei que te magoou ao ir percorrer o Mundo sem ti. Dá tempo ao tempo, e hás-de perceber a falta que te faço e talvez recordes as vezes que afirmaste não precisar de mim. 
Não te peço que compreendas, aceita apenas. Digo-te adeus. Um dia, quiçá, os nossos caminhos se cruzem de novo. Apenas o Fado o sabe.

Toujours tien, 

Mariana


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Milk & Vicky Cristina Barcelona



Milk é sem dúvidas algumas um grande filme e um enorme candidato aos Oscares este ano.
Sean Penn afirma aqui que é um excelente actor, algo que eu já tinha percebido há muito tempo (especialmente depois de Mystic River). Mostra aqui que é capaz de interpretar qualquer papel, inclusive o de um homem homossexual. Bastou ele dizer a primeira fala para eu ficar colada ao ecrã.
Talvez por ser uma história verídica, talvez pelo preconceito ser uma coisa que não entra na minha cabeça, talvez por ser um assunto ainda tabu na nossa sociedade, só sei que fiquei a pensar nele durante vários dias.


Vicky Cristina Barcelona, mais leve, cómico mas também com uma grande mensagem, não fosse realizado por Woody Allen.
Rebecca Hall surpreendeu-me pela positiva, Scarlett Johanson não chamou muito a minha atenção, já Penelope Cruz, o pouco que entra em cena, cativa a plateia instantaneamente. Javier Bardem, completamente diferente de Este País não é para Velhos, tem agora um olhar quente e apaixonado, e interpreta um boémio que adopta a filosofia do Carpe Diem.
No fundo, é um filme sobre o inesperável da vida, como nem sempre o que planeamos é o que acontece e como nem sempre o que queremos é realmente o que desejamos.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

É doloroso, é.

É difícil pensar, é. Cada dia que passa, cada passo que dás não reflectes. E no dia seguinte continuas a pedir aquele café, mesmo que o paladar já te tenha dito que não presta. Chegas a casa, ligas a televisão está na hora das notícias, mas mesmo que seja uma notícia importante, mudas para o futebol. Todas as manhãs deixas a àgua do banho a correr, e quando no fim do mês os teus pais se queixam do que têm de pagar não és capaz de admitir que podias ajudar. Hoje, decidiste abrir um livro e estudar alguma coisa, mas não percebes nada daquele poema que deram na escola. Quando acabas de o ler pensas: "afinal aquele Fernando Pessoa, a quem chamam de génio, diz que é tudo fingimento? Que não há emoções, vem tudo do raciocínio?". Talvez se tivesses ouvido a explicação na aula percebesses, já que sem ajuda é impossível.
Não és capaz de ver para lá do óbvio, do real, tens uma mente fechada. Por muito que cantes, a tua música será sempre melodia sem significado. 

É difícil pensar, é. A ignorância não doi, não custa, mas mais tarde magoa. 

Dêem-me a inconsciência, tapem-me os olhos para não ver os horrores do mundo, mas nunca me tirem a lucidez. 
 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Paraíso

Nadamos pela vida intercalando as respirações à superfície com a força com que somos puxados para baixo. Com o movimento e vontade voltamos ao de cima, e aí voltamos a percorrer o nada seguindo apenas as correntes. Deixamo-nos ir. 
Quando nos sentimos a afundar permanecemos murchos, sem electricidade suficiente para recuperar. O azul do mar transformou-se no cinzento do cimento e o único desejo que temos é de fechar os olhos e dormir. Adormecer para acordar numa praia dourada, rodeados do belo e do bom. Mas na realidade isso nunca acontece, é ilusão. Quando regressamos à superfície temos de restabelecer forças e continuar a lutar. E este ciclo é, agora sem metáforas, o que define o ritmo da vida. Umas vezes estamos bem, pensamos que temos tudo o que queriamos, mas depois aquilo já não nos preenche, já não nos dá sol, e assim continua o nosso caminho em busca do que pensamos que queremos. Sim, porque tudo isso nunca irá satisfazer completamente o nosso ideal de felicidade, de beleza. Enganamo-nos a nós próprios com o que pensamos ser a perfeição, só que esquecemo-nos que se estragam, partem, apodrecem, engelham... e finalmente terminam. 
Só que o ser humano não pode evitar a procura da perfeição e do eterno, e por isso esta roda não tem fim: iludimo-nos e mais tarde, desiludimo-nos. Desta maneira, tudo parece tão simples: querer, ter e perder. O problema está nos ingredientes adicionais. A ansiedade, a responsabilidade (e a falta desta), e os outros porque o Homem não vive sozinho. Mas acima de tudo o medo. Principal condicionante das acções humanas. É o medo que nos impele para actos precipitados. É ele que nos leva a colocarmos uma capa invisível e impenetrável. É ele que envolve a nossa mente e a preenche de pensamentos obscuros. Até medo de crescermos nós temos. Já Sartre dizia que todos os homens têm medo e que quem não tem medo não é normal, e eu que não sou filósofa e que me resigno à minha insignificância como cidadã atenta e observadora do mundo, concluo que muitas vezes há uma grande confusão entre o facto de ter medo e o ser corajoso. A coragem nada está relacionada com o medo. Quantos alemães não foram obrigados a aceitar ideais com os quais não concordavam? Quantos deles, por medo não por coragem, tiveram de fechar milhares de crianças inocentes em camaras de gás e esperar que elas morressem? Por medo de serem eles mortos e das suas famílias serem torturadas. 
Há depois a inteligência, que para mim somos nós que desenvolvemos. Traduz o que somos, queremos ser e fazemos. E assim, aprendendo constantemente, tornamo-nos seres conscientes da imensidão do mundo, mesmo que o que nele decorre não dependa dos nossos valores, mas sim da sua união com as nossas escolhas. 
E se há algo que sempre me revoltou é a ignorância que a maioria das pessoas não procura ultrapassar. Não são as roupas que usamos que nos transformam no que somos. Não é a maneira como penteamos o nosso cabelo, nem os acessórios que usamos. Não são as notas que temos que nos espelham. Não é a beleza estereotipada que nos foi imposta que mostra à sociedade quem realmente somos. São sim, as pessoas com quem nos damos. Com quem partilhamos a nossa vida. Durante a nossa adolescência, muitas vezes nos perguntamos porque os pais tanto querem saber quem são os nossos amigos. A verdade é que eles têm toda a razão no que dizem. É durante este período da nossa vida que mais experimentamos, e não é com os nossos pais que o fazemos, é com os amigos. E na ingenuidade da idade damos esse nome a todas as pessoas com quem temos pontos em comum. Quando crescemos apercebemo-nos que amigos amigos há poucos. Os que pensamos serem verdadeiros enganam-nos e os outros, os mais importantes são incapazes de o fazer. Os amigos dizem que nos amam, apesar da palavra se ter tornado banal. Os meus amigos contam-se pelos dedos, mas já não cabem nas minhas mãos as felicidades que me trouxeram. 
Infelizmente, ainda existem muitas pessoas convencidas que serão e existirão pelo que possuem. E também eu gostava de ter imenso dinheiro e poder fazer tudo o que me apetecesse, mas a verdade é que eu tenho algo que são raros os que alcançam. Eu tenho e partilho um sentimento que não tem preço, não tem distância, não tem idade. Estou permanentemente nas minhas Ilhas Afortunadas, "terras sem ter lugar", lugar do não-espaço e do não-tempo, que apenas se encontram pelo som das ondas. Não sei se foi sorte, mas destino sem dúvida foi, porque encontrei este lugar paradisíaco onde me refugio constantemente. A isto chamo, talvez já conheçam o nome mas dúvido que saibam o seu significado, amizade. É maior que a vida, que a morte, e liberta-nos completando aquele bocadinho da nossa alma que falta. É com ela que mergulhamos sem medo no mar da vida. 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Passado

  Tantas vezes vezes corri para te encontrar. Fiquei sempre num mistério. Levaste-me ao fim do oceano. Nadei incessantemente até te ver sorrir. Percorri todas ruas, todos os becos sem fim, com medo ou sem ele continuei mesmo quando já não sentia os pés. Por ti, mantive a minha postura de estátua e observei-te sem dares conta. Penetrei nas areias dos desertos, e de ti nem o minimo sinal.
  Por muito que te afastes, vou sempre estar aqui. Posso permanecer no mesmo lugar mas seguirei sempre a tua voz. O tempo avança, e a verdade é que na maioria dele tudo muda. Nunca pensei ter mais força, cheguei a um ponto em que me senti desfalecer. Tu deste-me força para parar de fingir. Paremos os dois. Não te escondas mais. Os erros foram muitos, eu sei. Mas que é a vida sem obstáculos e más decisões? Pura ilusão. Dirige-te para a luz, deixa-me ver-te. Não me obrigues a percorrer o mundo, não me deixes ficar presa às garras do desejo até à morte. Não tenhas medo que eu renasci. Por ti, para ti, e sem ti. Agora preciso que me acompanhes na viagem que tenho a fazer em busca de felicidade. Não contenhas os anos passados, deixa fluir. Dá-me a mão e vamos fugir dos outros. Vem, ou será que despredicei tantas lágrimas para nada? Se assim foi largarei tudo e não me prenderei mais por ti. Não tens coragem? Eu também não. Mas por nós iria agarrá-la, não a deixaria escapar. 
  Percebi agora que não vens e que durante todo este tempo, que agora me parece uma eternidade, me contentei com o mais mediocre que pude encontrar. Fiz de ti o que não eras e pelos vistos nunca serás. Acredita que nada do que digo é da boca para fora, tudo é sincero. E de tão baixo que és  até tenho medo que não percebas o que estou a dizer, portanto vou simplificar e dizer apenas adeus. Percebeste agora que não te estou a homenagear, a adorar, ou muito menos a embelezar? Estou a apagar-te do meu coração, a limpar as nódoas que deixaste, e finalmente estou pronta para soprar a chama que mantinha acesa a nossa vela. 
  E prepara-te porque vais ficar sozinho na escuridão.


Mariana Costa

sábado, 3 de janeiro de 2009

09

A passagem de ano correu muito bem, tendo em conta que até la passamos por uma serie de imprevistos e até na vespera não tinhamos o que fazer.
Tudo o que posso dizer é que ficamos em casa, jogamos a noite toda e quase nem demos pela meia-noite, e rimos, rimos, rimos até não podermos mais. Por fim, as 7.30 da manhã fomos dormir, o que tornou o primeiro dia de 2009 extremamente curto.

Já revi 2008 mentalmente, e só espero que 2009 seja tão bom ou até melhor.