quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Desafio II

1) Qual é o teu nome?
Mariana.
2) Por que é que te deram esse nome?
Porque a minha mãe desde pequena que gosta deste nome.
3) Fazes pedidos às estrelas?
Quando são estrelas cadentes.
4) Quando foi a última vez que choraste?
Domingo.
5) Gostas da tua letra?
Normalmente sim, mas há sempre aqueles dias em que nada do que escrevo sai bem.
6) Gostas de pão com o quê?
Com manteiga e doce de morango. E de preferência torrado.
7) Quantos filhos tens?
Zero.
8) Se fosses outra pessoa serias tua amiga?
Sim.
9) Saltarias de bungee-jump?
Depois de uma experiência radical neste verão, cheguei à conclusão que sim. Mas nunca sozinha!
10) Desapertas os sapatos antes de tirá-los?
Às vezes a preguiça é mais forte que eu...
11) Acreditas que és uma pessoa forte?
Não sou tão forte como pareço.
12) Qual é o teu gelado favorito?
Qualquer um do Santini.
13) Preferes vermelho ou preto?
Preto. Mas o vermelho é uma das minhas cores preferidas e sempre me disseram que fico muito bem com ele.
14) O que é que menos gostas em ti?

O facto de guardar tudo cá dentro.
15) O que é que mais gostas em ti?
A minha capacidade de ouvir.
16) De quem é que sentes saudades?
Da minha avó.
17) Descreve a roupa e o calçado que estás a usar agora.
Vestido branco e um casaco de malha lilás. Ah, e estou descalça como sempre.
18) Qual foi a última coisa que comeste hoje?
Lanche: um iogurte de morango e umas bolachas de maçã e canela.
19) O que é que estás a ouvir agora?
A minha irmã a tomar banho.
20) Quem foi a última pessoa com quem falaste ao telefone?
Gonçalo Tito Resende Ribeiro Silva Seixas.
21) Qual é a tua bebida favorita?
Sumo natural de manga.
22) E comida?
Saladas, Rosbife e Salmão.
23) Qual foi o último filme que viste no cinema? Com quem?
State of Play. Com a minha tia Zaza, eterna companheira de cinema.
24) Qual é o teu dia favorito do ano?
Não tenho nenhum em especial.
25) Preferes Inverno ou Verão?
Os dois. Só não gosto da Primavera e do Outono.
26) Preferes beijos ou abraços?
Um abraço no momento certo faz milagres.
27) Qual é a tua sobremesa favorita?
Salada de fruta acompanhada de um doce qualquer.
28) Que livro estás a ler?
O Sétimo Selo, José Rodrigues dos Santos.
29) O que tens na parede do teu quarto?
Quadros com fotografias e postais, e no futuro molduras com fotografias.
30) Quais são os teus filmes favoritos?
A vida é bela, A Janela Indiscreta, Milk, Moulin Rouge, Chicago, Breakfast at Tiffany's, muitos mais.
31) Qual foi o lugar mais longe a que já foste?
Paris.
32) Diz uma música.
Velha Infância, Tribalistas.
33) Diz uma frase.
"Houve um anjo que partiu para o céu mas mais dois que aterraram na terra."


(Desafio proposto por e-mail)

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Madrugada (III)

Oito e meia da manhã. O sol já brilha e Paris já funciona a todo o vapor. Encostada à ponte virei-me para o rio. Agora sou eu que tenho de confessar o que se passou durante estes anos. Questiono-me se o que te vou dizer se poderá comparar com a notícia que acabaste de me dar. E ainda tenho de te responder. Serei capaz?
- "Quando recebi a proposta de vir trabalhar para aqui pensei muito antes de a aceitar. Era a minha vida, os meus amigos, a minha família e tu. Custou-me muito deixar tudo. Sabia que nunca virias comigo e nunca me sentiria bem se te sentisses obrigado a fazê-lo. Por isso, decidi anunciar-te a minha decisão, sem sequer colocar hipóteses ou dúvidas."
- "Sempre foste pragmática."
- "Sim, tens razão. Mas tu guardavas tudo para ti. Sabes que se te tivesses aberto comigo eu tinha ficado contigo. Nunca teria hesitado. Naquele dia em minha casa foste tão frio comigo. Parecias feito de gelo. Nada do que eu disse e todos os carinhos que te dei pela última vez não te fizeram mudar. Quase nem olhaste para mim. Os teus olhos fugiam dos meus. Senti que se se cruzassem não seria possível estancar a dor que deles saíriam. Nunca mais me esqueço do nosso último diálogo. Estavamos dentro do carro à frente de tua casa. Perguntei-te se me amavas mas calaste-te. Esse silêncio magoou-me tanto. Finalmente disseste: Está a chover. Ao que eu respondi: Está a chover é dentro de mim. Foi a última vez que te vi até hoje."
De repente, senti a tua mão na minha.
- "Desculpa. Só te posso dizer desculpa."
- "Sabes, Paris ensinou-me a perdoar. Aprendi que no amor comete-se erros e que o tempo os cura. Apesar desta nossa dolorosa separação continuas a ser o amor da minha vida. Nunca perdemos o contacto total. Mesmo quando estive com outras pessoas olhava para o telemóvel todas as noites sem falta em busca de um sinal teu. Fiz disso um hábito.
E agora voltaste. Deixaste-me sem forças para pensar, sem raciocinio possível. Fiquei sem palavras com esta surpresa. Por isso, digo-te sinceramente: não sei. Não consigo saber se ainda vens a tempo.
Virei-me para ti. Limpaste a lágrima que escorria nos meus lábios.
- "Só te vou dizer mais uma coisa Isabel. Conhecer-te foi a melhor coisa que me aconteceu. Ensinaste-me tudo."
- "Deixa-me pensar. Preciso de estar sózinha."
- "Queres que te leve a casa?"
- "Não. Deixa-me ir."
Virei-te as costas e fui andando em direcção ao Louvre. Olhei para trás e ainda lá estavas. Parado a olhar o rio. Continuei em frente. Senti o meu telemóvel vibrar enquanto descia as escadas do metro. Eras tu. Outra vez.
- "Estou em tua casa às sete e meia para te levar a jantar."
Desligaste. No fundo eu sabia que as surpresas ainda não tinham acabado.
Tenho saudades tuas. Sinto falta das noites no Miradouro da Senhora do Monte. Dos passeios infinitos pelo Restelo. Dos lanches na Versailles onde tens conta aberta. Das danças em tua casa. Das mensagens que me mandavas depois de me levares a casa a dizeres que fazias tudo outra vez. Meu amor, tenho saudades tuas. Tenho saudades de nós.
Cheguei a casa e fui direita para a cama. Descanso. Paz.
Quando finalmente acordei fiz um banho de imersão. Entrei e senti o passado a sair de mim. Já tomei a minha decisão.
Quando chegaste disse-te para subires.
- "Estás linda Isabel."
- "Obrigado, tu também. Como sempre."
- "Vamos jantar?"
- "Vamos, mas é aqui."
- "Aqui?"
- "Não queres ir a um restaurante?"
- "Não e primeiro que tudo quero que venhas ali à varanda comigo."
Senti os teus passos atrás de mim. Abri a janela e saí. Está frio. Muito frio.
- "Isto que vês aqui", disse mostrando a vista da cidade, "é a minha vida agora. Isto sou eu."
- " Eu sei e é por isso que venho viver para cá."
- "Estás a falar a sério? Não brinques comigo."
- "Nunca falei tão a sério na minha vida. Tenho de fazer o que devia ter feito antes."
- " E o que é isso?"
Sorriste e aproximaste-te de mim. Enrolaste-me nos teus braços e apertaste-me. Senti a tua respiração tão perto como se fosse fundir com a minha.
- "Amar-te."
Ao fundo as luzes brilhavam iluminando a noite. Ao fundo o Arco do Triunfo. Ao fundo La Concorde. Ao fundo a Place Vendôme. Ao fundo a Torre Eiffel. Ao fundo o Sacré Coeur. Ao fundo Nôtre-Dame. Ao fundo o Sena. Ao fundo a Cidade da Luz. Ao fundo Paris.

(The end.)



domingo, 6 de setembro de 2009

Madrugada (II)

Sete da manhã. Estivemos abraçados em silêncio durante muito tempo. Quando nos afastámos nem tinha noção das horas. Limpaste as lágrimas e disseste:
- "Vamos passear?"
- "Está muito frio."
- "Quero ver Paris. Quero ver o nascer do sol em Paris. Quero ver o nascer do sol contigo."
Fiquei sem saber o que dizer. Por um lado tenho saudades tuas. Por outro sinto que o que tinhamos nunca acabou. Ficou apenas escondido. Agora que nos vimos reacendeu-se qualquer coisa que eu pensava já não existir. Mas não te posso falhar. Não agora que precisas de mim. A nossa amizade é mais forte que os meus medos de me magoar.
- "Está bem."
- "Sei que hesitaste."
- "Admito. E não me perguntes porquê porque nem eu própria sei. Ainda não consegui perceber o que estás aqui a fazer, porque me vieste procurar ou a razão de teres admitido que és um cobarde por nunca nos termos visto desde aquele dia. Ainda não sei se isto é real."
- "Claro que é real Isabel. Não hesites em vir comigo. Eu mudei. Preciso de te contar o porquê. Por isso é que quero ir passear."
- "Então vamos."
Ligaste o carro. Começou a tocar: Dance me to your beaty with a burning violin, dance me through the panic till I'm gathered safely in, touch me with your naked hand or touch me with your glove...
- "Trouxe este cd para ti, mas não resisti em ouvi-lo antes de te dar."
- "Não precisavas de me trazer nada. Estares aqui ja é suficiente."
- "Não Isabelinha, sabes que não é."
- "Não me chames isso. Já ninguém me chama isso."
- "Eu chamo e apesar de ter sido um estúpido e tudo o que me quiseres chamar, ainda sou alguém."
Paraste o carro. Saíste, abriste-me a porta e agarraste-me pelas mãos.
- "O que estás a fazer?"
- "Danças comigo?"
- "Aqui? No meio da rua?"
- "Sim! Anda lá..."
E dançámos. Senti-me feliz como há muito não me sentia e aquele je ne sais quoi de que duvidara desapareceu. Assim que puseste a mão na minha cintura e sussuraste ao meu ouvido - Dance me to the end of love - esvaíu-se em sorrisos e desfez-se em beijos esquecidos.
De repente, desligaste a música, trancaste o carro e puxaste-me. Começámos a correr sem rumo. Ao longe vi a Torre Eiffel e à medida que nos fomos aproximando comecei a ver o reflexo da lua na àgua. O Sena brilhava. Parámos numa ponte e inclinaste-te sobre o rio.
- "Sabes Isabel, quando me disseste que vinhas morar para Paris o meu mundo desabou. Não te disse nada. Nem eu sabia o que estava a sentir nessa altura. Só me apercebi disso há muito pouco tempo. Deixei-te escapar e por isso nunca me perdoei - O sol começava a despontar. - Herdei a empresa do meu pai. Quando ele morreu concentrei-me em ser o melhor, em conseguir preencher os seus feitos. Orgulho-me de poder dizer que consegui, mas em troca perdi muito de mim.
Nunca cheguei a casar, para desgosto da minha mãe que insiste sempre que pode."
Olhei o céu. Eu sabia que nunca te tinhas casado. Sempre tive essa esperança.
- "Tive outras relações, tal como imagino que tu também tenhas tido, mas nenhuma como a nossa. Vi os meus irmãos casarem.Vi todos os meus amigos felizes, a encontrarem o amor. Chamam-me o playboy. O que eles não sabem é que o que eles tanto procuraram já eu tinha encontrado contigo."
Deste um passo na minha direcção. Olhaste-me com os teus olhos negros como um corvo.
- "Lembras-te da minha irmã Sofia?"
- "Lembro claro! Ainda era uma criança quando vim para aqui."
- "Foi ela que me fez mudar. Está doente. Tem SIDA."
Foi como se ficásse muda. O frio que sentia intensificou-se. Então era isso que te fazia chorar.
- "Só te posso dizer que estou aqui para ti e que sei que não há palavras que te possam reconfortar o suficiente."
- "Enganas-te querida. O facto da morte da Sofia estar tão perto fez-me perceber que falhei em quase toda a minha vida. Sabes o que ela me pediu?"
- "Não."
- ""Vive por mim." disse ela. E isso eu não posso fazer sem ti. Por isso pergunto-te: Ainda vou a tempo?"
Olhei agora para o rio. É a minha vez.

(To be continued)


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Madrugada

Uma da manhã. Entrei em casa e como é hábito fechei a porta e tranquei-a com as voltas todas. É um gesto automático. Tirei o casaco, o cachecol e fiz um chá. Calhou ser aquele que tanto gostas.
Bebi-o em pequenos golos, cuidadosamente para não me queimar. Senti o suave toque percorrer o meu corpo e o calor a invadir-me.
Num impulso vesti o casaco e fui à varanda. Está uma noite de Inverno linda. Não chove, não está vento, está apenas frio. Muito frio. Voltei para dentro e deitei-me. Antes de apagar a luz olhei para o telemóvel uma última vez à tua procura. Nada.
Senti qualquer coisa vibrar. O telemóvel. Eras tu. Por momentos hesitei se devia atender ou não.
Tive medo da tua voz estar diferente, de não te reconhecer. Mas caí em mim. Sentei-me na cama e carreguei no botão:
- "Estou?"
- "Acordei-te?"
A tua voz é igual. Em nada mudou.
- "Sim. Normalmente às cinco e meia da manhã está-se a dormir. Só tu para me ligares a esta hora. Aí é menos uma hora, mas mesmo assim."
- "Minha querida eu não estou em Portugal."
- "Para que parte do mundo foste tu desta vez?"
- "Isabel, queres vestir qualquer coisa e vir ter comigo aqui ao carro? Estou parado mesmo em frente ao teu prédio."
- "O quê? Não acredito."
- "Queres que toque à campainha?"
De ti esperava tudo menos que viesses ter comigo. Não me espantava que estivesses em Nova Iorque, no Rio de Janeiro ou na Cidade do Cabo e te lembrasses de me telefonar sem ter em conta o fuso horário. Sempre foste homem de fugir de ti próprio. Eu sabia quando te disse que vinha viver para aqui. Nunca te pedi nada. Achei que não tinha esse direito. Por isso separamo-nos e fizemos um pacto: eras sempre tu a dar notícias, eu só te diria alguma coisa se fosse muito importante. Esporadicamente ligavas. Mas nunca ao longo destes anos vieste ter comigo. Viajaste por todo o mundo, mas esqueceste esta cidade. Esqueceste este universo fechado num pequeno espaço. Esqueceste Paris.
- "Eu desço."
Vesti-me num instante. Voei pela casa e meti-me no elevador o mais rápido que pude.
Procurei o teu carro com o olhar. Lá estavas tu. Ao contrário da tua voz, envelheceste. Não és o único. O tempo passou por nós sem dó nem piedade. Mas continuas bonito. Sempre o foste. Sempre foste o galã das noites de Lisboa e o que todas queriam. Sempre estiveste rodeado de pessoas por todo o lado. Estavas sempre acompanhado. Agora ali sentado pareceste-me tão sozinho, tão abandonado como uma criança perdida. Percebo porque me vieste ver. Precisas de te reencontrar e para isso precisas de quem te conheça. Quem melhor do que eu?
Corri até ao carro, abri a porta e sentei-me a teu lado. Olhavas o horizonte. Silêncio.... Lentamente viraste-te para mim, aproximaste-te, deste-me um beijo na testa e disseste:
-"Finalmente ganhei coragem. Sim Isabel, admito: sou um cobarde por nunca te ter vindo ver."
Não resisti e abracei-te. E de repente, senti uma lágrima escorrer pela tua pele. Nunca mais me esqueci desse momento. Nunca te tinha visto chorar.

(To be continued)