sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

As tuas sombras

Encontro-me num estado impensável.
Encontro-me sem sentido, sem direcção. Numa profunda melancolia que se embrenha no meu ser. Há uma solidão que me consome com uma velocidade atroz.
Tomaste-me como tua e sussuraste no meu ouvido palavras imaculadas. Durante anos encheste a minha cabeça de sensações dóceis e num segundo tiraste-mas com uma ousadia maldita. Maldito sejas tu que me enjaulaste e amarraste durante tanto tempo. Agora soltaste-me, deste-me a liberdade de voar e de espernear. E agora?
Dissipaste-te no brilho dos meus olhos. Ainda espero pelo mumúrio da tua voz rouca dos cigarros. Ainda espero que entres pela porta e perguntes aqueles desvarios do costume.
Não me consigo abstrair do teu perfume que se entranhou na minha pele. Preciso de me abstrair destes sentimentos ondeantes e agonizantes que pairam sobre mim. Tenho ainda a esperança de ver os teus cabelos voláteis mais uma vez. Tentei negar, manter a minha mente numa incógnita desmedida, mas não dá. Continuo sempre num martírio, num tormento. Este flagelo dilacera-me com um ardor turbulento.
Contento-me apenas em saber que mantiveste essa solenidade tão tua, tão difícil de deslindar e de envergar. Diria mesmo impossível. Possuías uma capa infinita, uma mansidão de sombras intransponíveis e opacas. Conseguiste remoer o meu coração até haver necessidade de o amputar. Há um único problema: não consigo. Seria em vão, infrutífero, estaria sempre a tactear e a procurar o pedaço de ti que transplantaste para mim, causando mais impasses do que já tenho. Refinaste a minha alma, tornaste-me melhor. Ensinaste-me o significado da Vida e da existência. Explicaste-me que o Mundo de vítreo não tem nada. Talvez num outrora mundano e libertino entenda o teu jeito de ser que me assombra. Talvez entenda a tua lascívia amarga e a tua volúpia desmedida. Talvez... não sei.

Só sei que quando tudo desabar, o que semeaste em mim vai renascer das cinzas e brilhar.
Por enquanto só preciso que me ajudes a esfaquear estas sôfregas emoções com a tua brandura e não me deixes esgueirar de mim mesma.


Mariana Costa

1 comentário:

A Lisboeta disse...

va aki esta o meu comment. Tava a ver que nao hem? xD