segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Crescer

Hoje, olho-me ao espelho e vejos como os anos passaram. E em mim reflectem-se agora, as vezes que sorri, as vezes que chorei, as vezes que fiquei surpreendida, as vezes que nada disse e me mantive em silêncio. Cada vez diferente, cada uma delineou em mim uma linha própria formando a minha História. A minha Vida. Apercebi-me que estou diferente, que não sou a mesma e que ainda estou a crescer. No fundo, crescemos a vida toda. E o tempo não pára. Não o podemos suspender e ficarmos iguais o resto da vida. Temos de o aceitar como parte evolutiva do nosso ser, abraçá-lo e aproveitá-lo. 
Hoje, começou um novo ciclo. 
Ontem, fiz 18 anos. E o que significa isso? Significa que já posso participar activamente na nossa sociedade, quer dizer que aos olhos do mundo já não sou uma criança e que legalmente passei a ser adulta. É um grande passo, muito grande. 18 anos só se faz uma vez na vida. É bom chegar a esta idade e ter memórias maravilhosas, e estar rodeada da melhores pessoas do mundo. Porque não há nada que ultrapasse uma tentativa de me surpreender (com a melhor das intenções) que eu adorei, apesar de não ter resultado. Não há nada melhor que ter duas pessoas a cantar os parabéns baixinho no metro. Não há nada superior a uma noite desorganizada, com boas conversas e gargalhadas. Mas o melhor é quando se pensa que tudo acabou, só que no fundo a surpresa ainda está para vir. Não há nada melhor que ter quem amamos a lutar por nós, sem desistir para nos ver sorrir.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Fuga

Fiz as malas e parti. Pareceu tão simples naquele momento. Foi como preparar uma viagem, com a diferença que era sem retorno. 
Mas agora, aqui sentada e a escrever-te esta carta, digo-te que deixar-te foi o mais difícil que fiz na vida. Porque durante anos, meses, dias, horas, minutos e segundos sufocaste-me. Tudo o que respirei eras tu, tudo o que saboreei eras tu, e tudo o que vi eras tu. Pus de parte tanto, tanto por ti... Mas tu não fizeste o mesmo por mim, e por isso parti. Abdico de te tocar, de te cheirar, de te amar para que compreendas que uma relação é composta por duas partes. Sinto-me só, tão só que parece que estou morta. Já não sinto o coração a bater, cheiro a cadáver, e por dentro desfaço-me cada vez mais. Continuo à espera da tua respiração junto da minha pele para saber que está tudo bem. Só que não está nem nunca vai voltar a estar. Estou cansada de esperar, desgastada da tua voz que parece uma cassete a repetir - amo-te - tantas vezes que já não significa nada. Talvez se eu tivesse chorado, se eu tivesse feito uma cena, se eu me tivesse rebaixado houvesse esperança. O problema é que nem assim te irias importar. E quanto mais penso em nós questiono se existiu realmente um Nós. Porque agora que me sinto a desaparecer e a transparência percorre cada milimetro do meu Ser percebo que apenas eu partilhei, apenas eu estive lá e tu eras um fantasma que assombrava o sonho que eu construi do que nós seriamos. 
Vou ser sincera meu amor, e uso este termo carinhoso pela última vez, enquanto estava no comboio não derramei uma única lágrima. Mas assim que cheguei aqui, a este quarto de hotel frio e gelado, senti-me vazia e chorei. Deixei as memórias esvaírem pelo sangue que derramo constantemente pelas feridas que me causaste. Afinal ainda estou viva, o sangue continua a escorrer. Mais valia estar morta, porque o vermelho torna-se cada vez mais transparente, acompanhando a minha solidão e transformando o meu corpo num vácuo em que nada vive.
Gostava de saber no que errámos... Fui eu? Foste tu? Só sei que não aguentei mais. O silêncio absoluto em que as palavras ficaram por dizer e as emoções por contar substituiram o tempo em que estavamos completamente em sintonia, embebidos um no outro. 
Quero que saibas que vou ter saudades tuas. Vou sentir a tua falta, mais do que se quer a àgua para matar a sede, mais do que o Inverno deseja o Sol. Admito que te quero, e que estou tentada a regressar, mas já tomei a minha decisão de te abandonar. Vou ter de me habituar a caminhar sozinha e a ter apenas a companhia dos meus próprios passos. 
Vou largar-te, é a única solução que há. Sei que te magoou ao ir percorrer o Mundo sem ti. Dá tempo ao tempo, e hás-de perceber a falta que te faço e talvez recordes as vezes que afirmaste não precisar de mim. 
Não te peço que compreendas, aceita apenas. Digo-te adeus. Um dia, quiçá, os nossos caminhos se cruzem de novo. Apenas o Fado o sabe.

Toujours tien, 

Mariana


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Milk & Vicky Cristina Barcelona



Milk é sem dúvidas algumas um grande filme e um enorme candidato aos Oscares este ano.
Sean Penn afirma aqui que é um excelente actor, algo que eu já tinha percebido há muito tempo (especialmente depois de Mystic River). Mostra aqui que é capaz de interpretar qualquer papel, inclusive o de um homem homossexual. Bastou ele dizer a primeira fala para eu ficar colada ao ecrã.
Talvez por ser uma história verídica, talvez pelo preconceito ser uma coisa que não entra na minha cabeça, talvez por ser um assunto ainda tabu na nossa sociedade, só sei que fiquei a pensar nele durante vários dias.


Vicky Cristina Barcelona, mais leve, cómico mas também com uma grande mensagem, não fosse realizado por Woody Allen.
Rebecca Hall surpreendeu-me pela positiva, Scarlett Johanson não chamou muito a minha atenção, já Penelope Cruz, o pouco que entra em cena, cativa a plateia instantaneamente. Javier Bardem, completamente diferente de Este País não é para Velhos, tem agora um olhar quente e apaixonado, e interpreta um boémio que adopta a filosofia do Carpe Diem.
No fundo, é um filme sobre o inesperável da vida, como nem sempre o que planeamos é o que acontece e como nem sempre o que queremos é realmente o que desejamos.