quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

É doloroso, é.

É difícil pensar, é. Cada dia que passa, cada passo que dás não reflectes. E no dia seguinte continuas a pedir aquele café, mesmo que o paladar já te tenha dito que não presta. Chegas a casa, ligas a televisão está na hora das notícias, mas mesmo que seja uma notícia importante, mudas para o futebol. Todas as manhãs deixas a àgua do banho a correr, e quando no fim do mês os teus pais se queixam do que têm de pagar não és capaz de admitir que podias ajudar. Hoje, decidiste abrir um livro e estudar alguma coisa, mas não percebes nada daquele poema que deram na escola. Quando acabas de o ler pensas: "afinal aquele Fernando Pessoa, a quem chamam de génio, diz que é tudo fingimento? Que não há emoções, vem tudo do raciocínio?". Talvez se tivesses ouvido a explicação na aula percebesses, já que sem ajuda é impossível.
Não és capaz de ver para lá do óbvio, do real, tens uma mente fechada. Por muito que cantes, a tua música será sempre melodia sem significado. 

É difícil pensar, é. A ignorância não doi, não custa, mas mais tarde magoa. 

Dêem-me a inconsciência, tapem-me os olhos para não ver os horrores do mundo, mas nunca me tirem a lucidez. 
 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Paraíso

Nadamos pela vida intercalando as respirações à superfície com a força com que somos puxados para baixo. Com o movimento e vontade voltamos ao de cima, e aí voltamos a percorrer o nada seguindo apenas as correntes. Deixamo-nos ir. 
Quando nos sentimos a afundar permanecemos murchos, sem electricidade suficiente para recuperar. O azul do mar transformou-se no cinzento do cimento e o único desejo que temos é de fechar os olhos e dormir. Adormecer para acordar numa praia dourada, rodeados do belo e do bom. Mas na realidade isso nunca acontece, é ilusão. Quando regressamos à superfície temos de restabelecer forças e continuar a lutar. E este ciclo é, agora sem metáforas, o que define o ritmo da vida. Umas vezes estamos bem, pensamos que temos tudo o que queriamos, mas depois aquilo já não nos preenche, já não nos dá sol, e assim continua o nosso caminho em busca do que pensamos que queremos. Sim, porque tudo isso nunca irá satisfazer completamente o nosso ideal de felicidade, de beleza. Enganamo-nos a nós próprios com o que pensamos ser a perfeição, só que esquecemo-nos que se estragam, partem, apodrecem, engelham... e finalmente terminam. 
Só que o ser humano não pode evitar a procura da perfeição e do eterno, e por isso esta roda não tem fim: iludimo-nos e mais tarde, desiludimo-nos. Desta maneira, tudo parece tão simples: querer, ter e perder. O problema está nos ingredientes adicionais. A ansiedade, a responsabilidade (e a falta desta), e os outros porque o Homem não vive sozinho. Mas acima de tudo o medo. Principal condicionante das acções humanas. É o medo que nos impele para actos precipitados. É ele que nos leva a colocarmos uma capa invisível e impenetrável. É ele que envolve a nossa mente e a preenche de pensamentos obscuros. Até medo de crescermos nós temos. Já Sartre dizia que todos os homens têm medo e que quem não tem medo não é normal, e eu que não sou filósofa e que me resigno à minha insignificância como cidadã atenta e observadora do mundo, concluo que muitas vezes há uma grande confusão entre o facto de ter medo e o ser corajoso. A coragem nada está relacionada com o medo. Quantos alemães não foram obrigados a aceitar ideais com os quais não concordavam? Quantos deles, por medo não por coragem, tiveram de fechar milhares de crianças inocentes em camaras de gás e esperar que elas morressem? Por medo de serem eles mortos e das suas famílias serem torturadas. 
Há depois a inteligência, que para mim somos nós que desenvolvemos. Traduz o que somos, queremos ser e fazemos. E assim, aprendendo constantemente, tornamo-nos seres conscientes da imensidão do mundo, mesmo que o que nele decorre não dependa dos nossos valores, mas sim da sua união com as nossas escolhas. 
E se há algo que sempre me revoltou é a ignorância que a maioria das pessoas não procura ultrapassar. Não são as roupas que usamos que nos transformam no que somos. Não é a maneira como penteamos o nosso cabelo, nem os acessórios que usamos. Não são as notas que temos que nos espelham. Não é a beleza estereotipada que nos foi imposta que mostra à sociedade quem realmente somos. São sim, as pessoas com quem nos damos. Com quem partilhamos a nossa vida. Durante a nossa adolescência, muitas vezes nos perguntamos porque os pais tanto querem saber quem são os nossos amigos. A verdade é que eles têm toda a razão no que dizem. É durante este período da nossa vida que mais experimentamos, e não é com os nossos pais que o fazemos, é com os amigos. E na ingenuidade da idade damos esse nome a todas as pessoas com quem temos pontos em comum. Quando crescemos apercebemo-nos que amigos amigos há poucos. Os que pensamos serem verdadeiros enganam-nos e os outros, os mais importantes são incapazes de o fazer. Os amigos dizem que nos amam, apesar da palavra se ter tornado banal. Os meus amigos contam-se pelos dedos, mas já não cabem nas minhas mãos as felicidades que me trouxeram. 
Infelizmente, ainda existem muitas pessoas convencidas que serão e existirão pelo que possuem. E também eu gostava de ter imenso dinheiro e poder fazer tudo o que me apetecesse, mas a verdade é que eu tenho algo que são raros os que alcançam. Eu tenho e partilho um sentimento que não tem preço, não tem distância, não tem idade. Estou permanentemente nas minhas Ilhas Afortunadas, "terras sem ter lugar", lugar do não-espaço e do não-tempo, que apenas se encontram pelo som das ondas. Não sei se foi sorte, mas destino sem dúvida foi, porque encontrei este lugar paradisíaco onde me refugio constantemente. A isto chamo, talvez já conheçam o nome mas dúvido que saibam o seu significado, amizade. É maior que a vida, que a morte, e liberta-nos completando aquele bocadinho da nossa alma que falta. É com ela que mergulhamos sem medo no mar da vida. 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Passado

  Tantas vezes vezes corri para te encontrar. Fiquei sempre num mistério. Levaste-me ao fim do oceano. Nadei incessantemente até te ver sorrir. Percorri todas ruas, todos os becos sem fim, com medo ou sem ele continuei mesmo quando já não sentia os pés. Por ti, mantive a minha postura de estátua e observei-te sem dares conta. Penetrei nas areias dos desertos, e de ti nem o minimo sinal.
  Por muito que te afastes, vou sempre estar aqui. Posso permanecer no mesmo lugar mas seguirei sempre a tua voz. O tempo avança, e a verdade é que na maioria dele tudo muda. Nunca pensei ter mais força, cheguei a um ponto em que me senti desfalecer. Tu deste-me força para parar de fingir. Paremos os dois. Não te escondas mais. Os erros foram muitos, eu sei. Mas que é a vida sem obstáculos e más decisões? Pura ilusão. Dirige-te para a luz, deixa-me ver-te. Não me obrigues a percorrer o mundo, não me deixes ficar presa às garras do desejo até à morte. Não tenhas medo que eu renasci. Por ti, para ti, e sem ti. Agora preciso que me acompanhes na viagem que tenho a fazer em busca de felicidade. Não contenhas os anos passados, deixa fluir. Dá-me a mão e vamos fugir dos outros. Vem, ou será que despredicei tantas lágrimas para nada? Se assim foi largarei tudo e não me prenderei mais por ti. Não tens coragem? Eu também não. Mas por nós iria agarrá-la, não a deixaria escapar. 
  Percebi agora que não vens e que durante todo este tempo, que agora me parece uma eternidade, me contentei com o mais mediocre que pude encontrar. Fiz de ti o que não eras e pelos vistos nunca serás. Acredita que nada do que digo é da boca para fora, tudo é sincero. E de tão baixo que és  até tenho medo que não percebas o que estou a dizer, portanto vou simplificar e dizer apenas adeus. Percebeste agora que não te estou a homenagear, a adorar, ou muito menos a embelezar? Estou a apagar-te do meu coração, a limpar as nódoas que deixaste, e finalmente estou pronta para soprar a chama que mantinha acesa a nossa vela. 
  E prepara-te porque vais ficar sozinho na escuridão.


Mariana Costa

sábado, 3 de janeiro de 2009

09

A passagem de ano correu muito bem, tendo em conta que até la passamos por uma serie de imprevistos e até na vespera não tinhamos o que fazer.
Tudo o que posso dizer é que ficamos em casa, jogamos a noite toda e quase nem demos pela meia-noite, e rimos, rimos, rimos até não podermos mais. Por fim, as 7.30 da manhã fomos dormir, o que tornou o primeiro dia de 2009 extremamente curto.

Já revi 2008 mentalmente, e só espero que 2009 seja tão bom ou até melhor.