sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Luz

Apareceste numa noite sem barulho, e passo a passo chegaste ao mais dentro de mim. Percorreste todos os caminhos possíveis para descobrires as mágoas que me assombravam. Saraste-as com o olhar, não foi preciso dizer nada. Sabias imediatamente o que fazer. Sangue-frio acima de tudo, é o teu lema. Característica necessária em todos os seres humanos na minha opinião, que tens em demasia. Mas mesmo assim curaste todas as feridas da minha alma sem medo que doesse. Talvez fosse coragem ou instinto por isso não te afastaste. Por muito mal que estivesse jamais me abandonaste num buraco sem fim, porque o meu fim eras tu. Tu, que estás la sempre sem estares, que sabes sem saber, que dizes sem falar, que escreves sem pensar, que tudo fazes sem nada fazer. 
Só o saber que te foste, que nunca mais irás entrar pela porta dentro é morrer. 
E agora, que desapareceste de vez, que farei? Olharei o teu retrato, ouvirei a cassete com a tua voz, e nunca me esquecerei. Arrumarei os teus papeis que ainda continuam lá, ano após ano, por haver alguém sem coragem de lhes tocar. Talvez por terem o teu cheiro, os teus pensamentos lá escritos seja mais doloroso. Eu preciso disso. Tenho de sentir que caminhas comigo, que me amparas, que não és apenas um corpo subterrado. Preciso de saber que a tua alma não desvaneceu e continua viva e quente. 
A comunicação é difícil, não é real... Mas encontrei as palavras, não verbais, para te cantar. 
Em ti confio plenamente, sem pudores e restrições. Deste-me provas do que és capaz, subiste a uma montanha e gritaste o meu nome até eu o ouvir do outro lado do mundo. Um obrigado é o que te devo, pela luz que te tornaste na minha vida, pela música que comigo dançaste e por todas as ruas desconhecidas que me deste a conhecer. 
Um obrigado te darei por toda a vida, apesar de não o poderes ouvir eu sei que o sentes.


Mariana Costa

2 comentários:

A Lisboeta disse...

A tipíca imaginação fértil da mariana xD
Está muito bom o texto :)
beijinho

Mariana Costa disse...

Quem me dera a mim que fosse imaginação. Este é mesmo realidade...