Ontem ao ver as notícias chamou-me à atenção a situação no Congo. Sabia que se passava uma guerra civil mas nunca imaginei a velocidade a que está a evoluir.
Esta guerra é, simplificando, uma disputa pelos recursos naturais. Desde 2003 morreram 5 milhões de pessoas. Hoje em dia 1 milhão tenta atravessar as fronteiras para o Ruanda.
A guerra é suportada pelo ouro, claro, e pelas crianças-soldado que são obrigadas a combater e cujo número aumenta de dia para dia. Ataques à catana, torturas, violações, pilhagens ocorrem todos os dias. No norte o caos está instalado. Os raros pontos de ajuda humanitária que restam estão sobrelotados, com milhares de refugiados que procuram um lugar onde ficar.
Gostava de saber porque ainda não houve ninguém que tomasse uma posição e dissesse a este governo do Congo, entre outros africanos, que não se sabem governar e que é necessário que potências como os EUA os controlem. Sejamos honestos, a verdade é que os ditadores mais brutais, as maiores atrocidades cometidas na humanidade aconteceram em África.
Não sou especialista em relações internacionais nem nada que se pareça, mas é urgente uma solução para este problema, é urgente um ponto final nesta guerra infernal.
Mudando de tema, para um assunto mais leve. Quarta-feira fui ver "Blindness - Ensaio sobre a cegueira". Não li o livro, portanto não fazia a mínima ideia do que se ia passar. Sabia apenas que o realizador era o Fernando Meirelles, o mesmo do "Fiel Jardineiro" (filme que aconselho vivamente a ver), portanto seria um bom filme de certeza; Juliane Moore seria a actriz principal, ou seja iria assistir uma boa interpretação sem dúvidas, e que era uma adaptação da obra "Ensaio sobre a Cegueira" de José Saramago.
Normalmente os livros que passam para o grande ecrã nunca traduzem exactamente o livro. Mas este era fiel, de acordo com a opinião de quem já leu, e transmitia exactamente a sua ideia. Não é um filme sobre os cegos ao contrário do que possa parecer. É essencialmente sobre como os instintos primários do homem, a ganância, chantagem, vingança, a sede do poder permanecem independentemente das situações em que nos encontramos. Tudo de mau no homem vem ao decima. Quem era bom, puro assim permanece. Quem já não era bom, pior fica. E quem estava no meio, normalmente escolhe o caminho do mal.
Sinceramente, deu-me vontade de ler o livro e assim prometo que estará nos meus "Livros de Cabeceira" o mais rápido possível. Já me disseram: "Saramago, mas estás maluca? Não te bastou o "Memorial do Convento"?" Ao contrário dessas pessoas eu gostei do Memorial, precisamente por ser diferente de todos os outros (apesar de cada livro ser único). A escrita de Saramago não é assim tão complicada, não é um bicho-de-sete-cabeças e tem pontuação, não tem é a habitual passagem do discurso indirecto para directo com "dois pontos, travessão e a fala". Uma vez la dentro, tudo se percebe basta um pouco de esforço.
Concluindo, fiquei impressionadissima com o filme, mas ainda mais com a Guerra do Congo, porque isso não é ficção. É realidade.