sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Divagando

Noutros séculos havia uma coisa a que se chama etiqueta. Ora, hoje em dia podemos dizer que estas regras estão em vias de extinção. Porquê? Porque agora há outra coisa (para além da má educação, mas não é disso que estou a falar) que prevalece: o egoísmo. 
A verdade é que cada vez menos existe cavalheirismo, boa educação e respeito uns pelos outros. Cada um está por sua conta, e o lema é: salve-se quem poder. Cada vez mais as pessoas rejeitam os outros e apenas se preocupam consigo próprias. A liberdade é muito boa, sim concordo, mas também há que ter noção dos actos que cometemos e das suas consequências. Por isso um pouco de regras não fazia mal a ninguém. Talvez com um pouco de regras o mundo não estivesse como está. Talvez fosse preciso alguma rigidez para controlar este pantâno que se alastra a passos largos de dia para dia. 
Pergunto-me a mim própria o que faço eu aqui? Pertenço a esta selvajaria? Estarei destinada a permanecer nesta confusão? As respostas não chegam, o sangue sobe à cabeça de tanto pensar... Reflicto, volto a reflectir, mas as conclusões não aparecem. 
E temo que nunca venham a surgir. Talvez seja algo que só se aprenda com a experiência de vida, e isso ainda tenho eu muita para adquirir. 
Já não sei como tratar as pessoas. Não sei se devem ser todas abordadas da mesma maneira, com a mesma linguagem, com os mesmos gestos, e até com o mesmo olhar. E o sorriso deverá ser igual?  
Queria poder entrar na cabeça de cada pessoa e ver os pensamentos para saber o que fazer. 
Queria fazer crescer um modelo da Humanidade ideal, sem erros e que soubesse distinguir o bem e o mal.
Queria ter um livro que dissesse como agir. Queria ter um manual do ser humano, onde estivessem explicadas as diferentes reacções e emoções. Um manual de instruções do Homem que explicasse o que fazer perante obstáculos e quando nadamos perdidos no oceano.


Mariana Costa


sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Luz

Apareceste numa noite sem barulho, e passo a passo chegaste ao mais dentro de mim. Percorreste todos os caminhos possíveis para descobrires as mágoas que me assombravam. Saraste-as com o olhar, não foi preciso dizer nada. Sabias imediatamente o que fazer. Sangue-frio acima de tudo, é o teu lema. Característica necessária em todos os seres humanos na minha opinião, que tens em demasia. Mas mesmo assim curaste todas as feridas da minha alma sem medo que doesse. Talvez fosse coragem ou instinto por isso não te afastaste. Por muito mal que estivesse jamais me abandonaste num buraco sem fim, porque o meu fim eras tu. Tu, que estás la sempre sem estares, que sabes sem saber, que dizes sem falar, que escreves sem pensar, que tudo fazes sem nada fazer. 
Só o saber que te foste, que nunca mais irás entrar pela porta dentro é morrer. 
E agora, que desapareceste de vez, que farei? Olharei o teu retrato, ouvirei a cassete com a tua voz, e nunca me esquecerei. Arrumarei os teus papeis que ainda continuam lá, ano após ano, por haver alguém sem coragem de lhes tocar. Talvez por terem o teu cheiro, os teus pensamentos lá escritos seja mais doloroso. Eu preciso disso. Tenho de sentir que caminhas comigo, que me amparas, que não és apenas um corpo subterrado. Preciso de saber que a tua alma não desvaneceu e continua viva e quente. 
A comunicação é difícil, não é real... Mas encontrei as palavras, não verbais, para te cantar. 
Em ti confio plenamente, sem pudores e restrições. Deste-me provas do que és capaz, subiste a uma montanha e gritaste o meu nome até eu o ouvir do outro lado do mundo. Um obrigado é o que te devo, pela luz que te tornaste na minha vida, pela música que comigo dançaste e por todas as ruas desconhecidas que me deste a conhecer. 
Um obrigado te darei por toda a vida, apesar de não o poderes ouvir eu sei que o sentes.


Mariana Costa

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Constipação bem apanhada

Apesar da grande constipação que apanhei posso, sem a mínima dúvida, dizer que valeu apena a noite de sexta-feira, e que foi curta sim mas teve um valor incalculável. 
Por entre rainhas da noite que se atravessaram no nosso caminho, coreografias inventadas, e as nossas figuras que nem vou referir, tivemos uma "pseudo-noite" do melhor.

Para a próxima não estaremos deslavados e por muitos sinais que nos apareçam à frente será ainda maior desde que estejamos sempre, sempre juntos. 


Mariana Costa


quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Evaporação

Vã esperança, cruel medo
duvidas insistentes e tenebrosas
que fluem no meu sangue 
por ruas vagarosas

O toque, cheiro e sabor 
não quero eu tentar
com medo de me evaporar
por entre memórias 

Cada vez mais se aproxima
o sonho que tanto temo
e questiono-me se alguma vez existi
neste meu mundo moribundo

Hoje desapareci
sem haver uma lágrima derramada
apenas um suspiro de dor flagelada
que contra o tempo avança


Mariana Costa