Noutros séculos havia uma coisa a que se chama etiqueta. Ora, hoje em dia podemos dizer que estas regras estão em vias de extinção. Porquê? Porque agora há outra coisa (para além da má educação, mas não é disso que estou a falar) que prevalece: o egoísmo.
A verdade é que cada vez menos existe cavalheirismo, boa educação e respeito uns pelos outros. Cada um está por sua conta, e o lema é: salve-se quem poder. Cada vez mais as pessoas rejeitam os outros e apenas se preocupam consigo próprias. A liberdade é muito boa, sim concordo, mas também há que ter noção dos actos que cometemos e das suas consequências. Por isso um pouco de regras não fazia mal a ninguém. Talvez com um pouco de regras o mundo não estivesse como está. Talvez fosse preciso alguma rigidez para controlar este pantâno que se alastra a passos largos de dia para dia.
Pergunto-me a mim própria o que faço eu aqui? Pertenço a esta selvajaria? Estarei destinada a permanecer nesta confusão? As respostas não chegam, o sangue sobe à cabeça de tanto pensar... Reflicto, volto a reflectir, mas as conclusões não aparecem.
E temo que nunca venham a surgir. Talvez seja algo que só se aprenda com a experiência de vida, e isso ainda tenho eu muita para adquirir.
Já não sei como tratar as pessoas. Não sei se devem ser todas abordadas da mesma maneira, com a mesma linguagem, com os mesmos gestos, e até com o mesmo olhar. E o sorriso deverá ser igual?
Queria poder entrar na cabeça de cada pessoa e ver os pensamentos para saber o que fazer.
Queria fazer crescer um modelo da Humanidade ideal, sem erros e que soubesse distinguir o bem e o mal.
Queria ter um livro que dissesse como agir. Queria ter um manual do ser humano, onde estivessem explicadas as diferentes reacções e emoções. Um manual de instruções do Homem que explicasse o que fazer perante obstáculos e quando nadamos perdidos no oceano.
Mariana Costa