No outro dia dei por mim a pensar no verdadeiro significado de ser, das ideias, de querer. Será que há um verdadeiro sentido para tudo isso? Não sei. Ninguém sabe. Pensamos que sabemos, que somos felizes, que nos contentamos com pouco, com o que nos é dado e oferecido, mas queremos mais. Muito mais. Queremos um colar novo, queremos experimentar uma nova receita, um beijo daquela pessoa especial. Queremos tudo e ultrapassamos todas as barreiras possíveis e imaginárias. Porque não nos contentamos com o desejo? Com o sonho? Tem tudo de ser real?
Na nossa cabeça não podemos sair à rua com o colar novo, imaginar que está lá e que o estamos a usar? Não podemos saborear uma prato comum e fechar os olhos, respirar fundo, abri-los e olhar o prato como uma receita estravagante? Não podemos sonhar que essa pessoa está aqui ao nosso lado e que na verdade nos deu o que queríamos?
Podemos, só que o ser humano tem sempre de querer mais do que pode, mais do que tem direito e ainda não compreendeu que pode ter tudo, desde um nascer do sol, ao mergulho no mar, ao cheiro de uma flor, a um passeio pelo meio do campo desde que sonhe. Imagine.
Algumas pessoas que conheço diriam que este meu discurso é completamente utópico e surreal.
Se estou ou não longe da realidade isso é comigo. A realidade sou eu que a construo, sou eu que a faço. A minha realidade não tem de se adaptar ao mundo dos outros, ao resto. O resto é que tem de se adaptar a nós. Os outros têm de ir à nossa realidade, têm de crescer.
O real toma corpo pelas nossas ideias e elas são a maior riqueza do Homem, são o que tem de fervilhar na nossa cabeça, preenchendo-nos e não deixando espaço para que nos impinjam outras. Temos de as defender, pois sem elas não há pensamento. Sem pensamento não há evolução, não há desenvolvimento, não há crescimento moral e intelectual.
Só crescemos com as nossas "coisas", o que nos pertence, o que faz parte de nós. É a riqueza da evolução do pensamento e das ideias. A vida não é estagnação.
Daqui a alguns anos posso estar a ler os meus textos e pensar: "Fui eu que escrevi isto?"
A mente muda, as ideias mudam, as convicções mudam, tudo se transforma. Posso modificar os textos e quanto mais tempo passar, mais pasmada vou ficar ao ver o que escrevi e o que fiz. Posso pensar agora que estou certa, que esta é a verdade, mas nunca saberemos o que é certo, verdadeiro e errado. O momento passa e o que resta são memórias do que fomos, do que fizemos do que dissemos. Cada ser humano podia escrever um livro e contar a sua vida. Devia, porque muito do que fazemos neste preciso instante, daqui a 24 horas já não nos vamos lembrar e saber o que nos passava pela cabeça. Por isso, o importante da fotografia, da pintura, da literatura. São artes que nos permitem exprimir, saber o que dizer, mostrar ao universo a nossa alma. São ideias que formam o nosso desejo e sentimento.
Um conselho: pensem, reflictam. Sintam o vento, a chuva, o mar. Inspirem-se e olhem o mundo pela vossa lente, que é única e exclusiva. Façam o que o instinto escrever. Pode parecer que fazer isto é difícil, mas sonhem e abram a alma à imaginação. Mas isto sou eu, que tenho um pensamento extremamente fértil, como me dizem quase todos os dias. Ainda gostava que me explicassem se há algum mal nisso.
De acordo com Henry David Thoreau "com as minhas experiencias, ao menos aprendi que se avançar confiantemente na direcção dos sonhos que temos e se fizer um esforço para levar a vida que se imaginou, encontraremos sucesso inesperado nos momentos mais corriqueiros".
Talvez seja esta a minha filosofia de vida agora.
Mariana Costa