Os nossos sentidos põe-nos em contacto com o Mundo. Com o que nos rodeia, dando-nos pistas para pensarmos no que acontece, no que pode acontecer e no que não aconteceu.
É esta relação de inter-ajuda entre os nossos sentidos e a nossa inteligência que nos vai posicionar no universo.
E aí somos assombrados por dúvidas, questões, pesadelos, sonhos, realidades e surrealismos.
Conseguiremos nós ultrapassa-los? Conseguiremos nós saber se fugirmos ou ficamos e enfrentamos? Conseguiremos abraçar os nossos valores, distinguirmos o bem e mal e percorrer a luz que nos ilumina?
Sermos capazes de subir a escada de caracol da Vida, sem tropeçar? Não. Isso não. Teremos sempre obstáculos, estaremos sempre de saltos altos e desprotegidos.
Somos humanos, somos sensíveis e rudes, e muitos de nós estão convencidos de que sabem tudo.
Mas no fundo, o que é o saber?
O saber é infinito, não se sabe onde acaba, nem sabemos se acaba. Só há uma realidade. A forma como cada um de nós capta a realidade é diferente. Agarramos a realidade através do que somos, do nosso todo. E o todo não é só o pensamento, o racional, é isso e os afectos.
Temos de desencadear afectos e motivações para pôr a razão a funcionar. Para racicionar. Não somos máquinas e tudo o que realizamos está envolvido num papel repleto de sentimentos.
Outra noção que devemos ter é que quanto mais aumentamos o saber, descobrimos que há mais por desvendar. É como uma sucessão de caixinhas fechadas à chave e que se entreabrem à medida que vamos avançando no conhecimento.
Basta lermos um poema de Fernando Pessoa para a nossa alma ficar preenchida e avançarmos na escadaria da Vida, basta olharmos um quadro e sentirmos a cor a trespassarmos à medida em que queremos mais e mais, basta estudar uma matéria de que gostamos para querermos virar a página e continuar a ler e a sublinhar, basta ouvirmos uma conversa filosófica para mantermos a nossa mente activa e receptiva, basta querer e acreditar.
Basta construirmos uma esperança e adicionando um tijolo todos os dias a uma fé incondicional a qualquer coisa na qual não depositámos a mínima confiança.
É apenas necessário projectarmo-nos para o horizonte, projectarmo-nos no ecrã da Vida, no palco do Futuro.
E não deixar que as oportunidades passem por nós como uma rajada de vento sem importância, é absolutamente essencial corrermos atrás delas, tal e qual como uma chita, sem medos e desconfianças, confiando em nós próprios e na Vida.
Porque quando sorrimos para a Vida, ela sorri para nós.
Mariana Costa
